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CERIMÔNIAS (4)

ÁGUAS  DE  OXALÁ

 

Esse ritual anual de purificação, renovação, pode ser considerado um “rito de passagem”, o fim e o começo, um novo ciclo, reverencia a presença da água, fonte primordial da vida, que se apresenta em todos os rituais da Religião dos Orixás. A Água é enobrecida na abertura do calendário, com os ritos de Orixan’lá, como procedência de Orí no Ayê – Iyá Omí Olorí – mãe de Orí, uma antiga divindade das águas, a deusa que se assenta na fonte de origem, simbolicamente, um banco, cadeira de espelho no umbigo do mar, no seio das águas, lugar simbólico da transformação. Mãe Ancestral. A celebração do Orixá é precedida de uma meticulosa preparação, interação e durante 16 dias.

Oxalá representa a pureza, Obatalá, O rei do Imaculado ou O rei do Branco, não existirá outra cor durante os 16 dias na liturgia das Águas se não, o “Branco,” dentro do terreiro e a todos que lá chegarem, a retidão e o silêncio tomarão conta do Axé, tudo deverá estar limpo, a preocupação com as roupas que deverão estar alvas, engomadas e perfeitas. Do portão de entrada do terreiro até a porta do barracão e demais dependências, será estendido sobre nossas cabeças uma peça ou mais de morim branco, cobrindo como um teto os Orís de todos. Na maioria das casas, o ritual começa na madrugada da sexta-feira com a confecção do baluwê (pequena cabana feita com bambús e de folhagens de coqueiros, pitombas, etc) o ajubó do Oxalá mais velho será posicionado sobre uma enorme bacia, outros assentamentos de Oxalá podem ficar ao lado acompanhando o velho Orixá, permanecerão até o 2º domingo das águas quando então Oxalufan volta para sua casa. Começará então a procissão de ir no rio ou na fonte pegar água fresca, cada um com seu pote, jarro ou quartinha sobre seus Orís para depois levarem até a cabana de Oxalá e lá a Iyalorixá ou Babalorixá estará esperando todos e em ordem hierárquica, receberá as quartinhas com água e lavará o Orí de cada um, colocando um Obí no Orí cobrindo-o com um ojá. Esse ritual é feito em todos que se encontrarem na casa, abians, iniciados e visitantes, sem excessão, o Orí se renova. Retorna-se ao rio ou fonte mais algumas vêzes dando seguimento ao osé de Oxalá.

O ritual em algumas casas mais tradicionais é feito em quatro momentos e seguida de três domingos subsequentes com festas e grande orô. Os domingos de festa cumprem uma etapa fundamental das obrigações, o ciclo se realiza ao se reviverem durante os 16 dias o caminho mitológico do Orixá nos três domingos e tudo começa na saudação a Orixan’lá bem cedo em em frente ao seu Ojubó na cabana, todos prostados com o Orí sobre os punhos em formato de pilão, rezando e saudando o Orí ( Orí Aperê o).

1º Domingo-Festa de Oduduwá (ancestralidade- A Terra).
O caminho do Orixá, a paz silenciosa toma conta de tudo, as roupas alvas, a alimentação sem sal por 16 dias o ajeum funfun estará presente. O ciclo do primeiro domingo se fechará num orô somente com Orixás funfun em roda e os omolorixás da casa no toque tradicional do batá em celebração a Oduduwa ao mais antigo Orixá funfun.

2º Domingo- Festa de Oxalufan (ancestralidade- O Alá).
Continua o preceito e neste dia bem cedo antes do xirê, os assentamentos, cabaças e axés voltam para sua “Casa”, ao som de cantigas e revoadas de pombos brancos soltos por egbomis, um grande Alá acompanha o Orixá em seu retorno que passará para reverencias no Ilê Ibô Akú (casa de antigos ancestrais) e também na casa ou quarto de Yemanjá. Terminado a caminhada em sua casa ou quarto, o Grande Oxalufan descansará e as Iyás arrumarão seu ajubó entoando cantigas em tom baixo em respeito e devoção. Mais tarde na festa, o xirê se repetirá em roda, muito Ebô, o rítmo Igbí, Babá Daribô com seu Opaxorô nos brindará dançando ao som de cantigas toda sua odisséia.

3º Domingo- Festa de Oxaguian (Ancestralidade- O Pilão).
Orisagiyan é o Elemoaxó funfun, cantigas mais aceleradas e a dança do Guerreiro do universo, do Pai Senhor da Guerra à Paz. Aparecem as contas com seguí, símbolo que o dignifica como único Orixá funfun Ajagunan. A raiz de inhame é o elemento que se apresenta da cozinha direto para o barracão, como prato do preceito, em bolas de inhame pilado, alimento de expansão do Axé, o simbolismo da Tradição dos Orixás. . Cantigas lembraram os ritos do atorí e vários atoris são distribuidos pela Iyalorixá ou Babalorixá que dá início tocando em Oxaguian e depois vão tocando uns aos outros na roda de forma hierárquica em que do mais velho Oxalá ao mais novo iniciado da casa participam até que todos tenham sido tocados por Oxaguian. O ciclo e todas as festividades das Águas de Oxalá, de renovação da existência e expansão do Axé será encerrado formando novamente a roda e fazer o encerramento com a cantiga em reverencia Olodumare.

 

Fonte: O Candomblé

 

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AXEXÊ

 

Axexê cerimônia realizada após o ritual fúnebre (enterro) de uma pessoa iniciada nocandomblé.Tudo começa com a morte do iniciado, chamado de ultima obrigação, este ritual é especial, particular e complexo, pois possibilita a desfazer o que tinha sido feito nafeitura de santo, é bem semelhante com o processo iniciático chamado de sacralização, só que agora este procedimento é uma inversão chamada de dessacralização, no sentido de liberação do Orixá protetor do corpo da pessoa.

Com uma navalha o Babalorixá ou yalorixá raspa o topo do crânio do falecido e retira o Oxu, juntamente com todos os pós colocado na sua iniciação, em seguida quebra-se um ovo, oferece um obi Obi ritual, pintando-o com efun, wáji, e ossun, coloca-se um novo oxu, um pombo é sacrificado, o sangue que escorre é recolhido num pedaço de algodão, parte dos objetos é enrolado no pano branco e colocado na sepultura, e outra é levado para dar inicio ao ritual do Axexe propriamente dito.

Junta-se todos seus pertences pessoais utilizados em sacrifícios e obrigações, como roupas, colares, nem sempre os assentamentos dos orixas são desfeitos, se faz uma consulta oracular (jogo de búzio) “merindilogun” para se saber do destino dos objetos separados, se ficam com alguém. Em caso positivo, o objeto ou objetos em questão é lavado com água sagrada e entregue aos herdeiros revelado(s) no oráculo, e em caso negativo, o objeto é separado para junto com os demais e, após serem os colares rompidos juntamente com o kelê, as roupas rasgadas e os assentamentos quebrados, são colocados em uma trouxa que será entregue em um local também indicado pelo oráculo. Normalmente, a trouxa, chamada de Carrego de Egum, é acompanhada de um animal sacrificado, indo de uma única ave a um quadrúpede acompanhado de várias aves, dependendo do grau iniciático do morto. E ainda, se o falecido era um iniciado de pouco tempo, basta um lençol branco para embalar o carrego, se tratar de alguém mais graduado, o carrego é colocado em um grande balaio, o qual é depois embalado no lençol.

O processo de preparação e entrega, ou despacho do Carrego de Egum é a cerimônia fúnebre mínima que se dedica a qualquer iniciado no candomblé quando morre. As variações surgem, como foi já colocado, dependendo do grau iniciático ao qual pertencia o morto mas também da Nação em que fora iniciado.

Se o morto era uma pessoa graduada na religião é que mereceria um Axexê. O Axexênesses casos antecede ao Carrego de Egum e consiste em uma, três ou seis noites de cânticos e danças na qual se celebra a partida do iniciado para o outro mundo, rememorando o nome de outros iniciados já falecidos e, enfim, os eguns em geral.

Canta-se também a certa altura para os orixás, menos para Xangô, para os quais se canta no depois da entrega do carrego no ritual do arremate. Todos os participantes devem vestir branco, a cor do nascimento e da morte no candomblé, as mulheres devem estar com a cabeça e o pescoço cobertos e os homens com os pulsos envoltos na palha da costa.

Obedecem-se vários preceitos rígidos de comportamento dentro do terreiro durante todo o processo, para evitar melindrar o espírito que está sendo respeitosamente despedido.

Depois do carrego despachado, canta-se o arremate no dia seguinte à tarde, antes do pôr-do-sol, as mesmas cantigas do Axexê são ainda entoadas e no final são louvados osorixás, e empreende-se uma limpeza ritual do terreiro, com a participação eventual dos orixás que porventura tenha se manifestado em seus elegun.

Ao longo do Axexê mesmo somente orixás mais ligados à morte como Oyá–Iansã,Obaluaiyê, Nanã e Ogum, etc. costumam se manifestar. No caso em que o morto era um pai ou mãe de santo cujo terreiro permanecerá ainda aberto, deverá ficar fechado ao público durante um ano ou mais conforme determinação do jogo, mas as cerimônias internas continuam, costuma-se repetir o ritual de um, três, seis meses, e um, três, sete anos depois do Axexê inicial.

O Axexê também é conhecido pelos nomes de sirrum e zerim, nomes em Língua Fonsignificando os instrumentos que são percutidos em substituição aos atabaques.

O sirrum é uma metade de cabaça emborcada em um alguidá onde se encontra uma mescla de substâncias líquidas abô e o zerim é um pote com certas substâncias dentro que é percutido com um abano (leque de palha) dobrado em dois.

Quando se trata de uma pessoa especialmente antiga e poderosa na religião, o Axexê é tocado com atabaques mesmo, com os couros ligeiramente afrouxados para serem depois também despachados no carrego. Em alguns terreiros da Nação Ketu também se usa tocarAxexê com três cabaças: duas inteiras e uma com a ponta cortada.

“A morte é, sem dúvida, para todos os grupos e para todas as sociedades, um evento desestruturante. Não só pela perda das pessoas queridas mas também porque deixa vago, na estrutura familiar, social, grupal etc., um espaço nem sempre preenchível, principalmente em termos da relação particular do indivíduo que morre com os outros. Ainda que seu “lugar” venha a ser ocupado por algum “substituto”, o conteúdo das relações nem sempre – ou quase nunca – pode permanecer inalterado. Para o candomblé, a morte pode ser bastante mais complexa, especialmente quando se trata da morte de um chefe de terreiro . As várias mortes de pais-de-santo ocorridas recentemente em São Paulo demonstram isto e levantam algumas questões sobre esta problemática que devem ser discutidas e eu gostaria de dar um primeiro impulso a esta discussão.

O primeiro problema diz respeito às questões rituais. No candomblé acredita-se que o morto, quando ainda recentemente falecido, pode causar perturbações aos vivos, seja porque se sente ainda ligado aos que amou, seja porque deseja ser ajudado a desvencilhar-se dos vínculos com o mundo material. Há também a questão de que o orixá que foi assentado na cabeça do iniciado falecido (e em representações materiais), deve ser “libertado” para que possa retornar à “energia natural” da qual, na forma de um orixá particular, era apenas um avatar, uma “qualidade”, uma fração. Por este motivo é realizado o ritual denominado axexê, ou cirrum, que visa “despachar o egun”, isto é, libertar os espírito das relações com o mundo dos vivos e “encaminhá-lo” ao mundo dos mortos, livrando também o orixá.

A maioria dos adeptos do candomblé não sabe explicar, contudo, o que seja este “mundo dos mortos”. Muitos dizem mesmo que depois da morte não existe nada. “Morreu, morreu. Acabou”. Este desconhecimento, e também um certo “desinteresse” pelo que se passaria no pós-morte leva o povo-de-santo a pelo menos duas diferentes atitudes:

1– A morte e o morto são entregues à religião hegemônica, no caso o catolicismo, que se encarrega de ritualizá-la através do enterro católico, orações, missa de sétimo dia etc. Quando se trata de um iaô, os assentamentos costumam ser simplesmente “despachados” (geralmente jogados num rio ou num cemitério) com cerimônias menores;

2 – É realizado o axexê, a cerimônia funeral do candomblé, dedicada em geral apenas aos ebomis que têm filhos-de-santo. Neste caso o ritual se torna imprescindível e é exigido tanto pelas famílias-de-santo quanto pela comunidade do povo-de-santo em geral. Estabelece-se assim uma diferenciação das pessoas também diante da morte causando um certo estranhamento o fato de iniciados não-ebomis não necessitarem do axexê para libertarem seus orixás e seus vínculos com a família-de-santo. Mas existem razões para que as coisas se passem assim.

A realização do axexê, uma grande e trabalhosa cerimônia, tem sido reservada apenas para chefes de terreiro não só pela grande quantidade de vínculos (com seu pai-de-santo, seus irmãos-de-santo, filhos-de-santo, netos-de-santo, sua família carnal etc.) que estes mantêm mas também pelos grandes obstáculos que devem ser vencidos antes de sua efetuação. Um deles é a falta de sacerdotes com conhecimento suficiente para realizar o axexê. Sendo uma religião mágica, o processo ritual, os detalhes, as “fórmulas” mágicas são sempre motivo de extremado cuidado, medo e desconfiança. Qualquer mínimo erro, descuido ou engano pode ser a fonte de grandes desgostos e problemas. Principalmente quando se lida com o absoluto desconhecido que é a morte.

Assim, poucos são os sacerdotes que se “arriscam” a realizar o axexê, preferindo entregá-lo aos mais antigos sacerdotes, mesmo pagando um alto preço por seus serviços religiosos. Como a realização desta cerimônia tem se revelado bastante lucrativa, aqueles que a conhecem profundamente têm evitado ensiná-las até mesmo aos seus próprios filhos-de-santo mantendo, desse modo, o “monopólio” do conhecimento religioso. Os especialistas em axexê, em São Paulo, cobram em média 1000 dólares para realizá-lo. E não é fácil, para os grupos de filhos dos terreiros, conseguir este dinheiro e até mesmo superar questões como “quem vai realizar o axexê, de que modo, quando, por quanto etc.”, pois a morte do chefe de um terreiro gera situações gravemente desestruturantes.

Estas situações chegam mesmo a colocar em risco a continuidade da casa-de-santo, pois surgem muitas dúvidas: quem seria o sacerdote mais indicado para realizar o axexê? Quem será o novo ou nova chefe do terreiro? A casa continuará e o indivíduo permanecerá nela, ou fechará (o que é mais comum) e o filho de santo precisará ser adotado por outra casa, devendo, neste caso, reestruturar toda sua vida religiosa?. Caso a casa seja extinta, quem adotará os filhos-de-santo do morto, cuidando de seus orixás? Muita gente, especialmente ogãs e ekedes, fica sem rumo, sem saber o que fazer de sua vida.

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QUARESMA

 


Antigamente, quando chegava a Quaresma, o povo Iorubá paravam suas funções e faziam a festa chamada Olorogún, pois para o Candomblé o período da Quaresma é o período que em que os Orixás entram em guerra contra o mal para trazer o pão de cada dia para seus filhos. No dia da festividade chamada Olorogún, eram vestidos todos os Orixás do Axé e cada um dos Orixás vinham com um pequena trouxa, contendo a comida preferida de cada um deles. Todos dançavam os seus toques prediletos e no final saiam todos em fila dançando o Adarrum.
Depois dessa festa os Orixás só voltavam no sábado de Aleluia. Depois do Olorogún os atabaques da casas eram recolhidos, onde tomavam ebós, eram lavados com ervas, e tomavam Obori. Essa foi uma forma encontrado para fortalecer os Atabaques que são utilizados em todas as funções litúrgicas. No sábado de Aleluia, era feita uma grande festa em louvor aos Orixás,onde Ogum por ser o pai das guerras, traziam em suas mãos um grande cesto de pão para distribuir no salão. Representando o vencimento da guerra pela paz. A semana santa representa para o Candomblé a criação do mundo.
Por este motivo os candomblecistas devem vestir o branco nessa semana, e principalmente na sexta-feira santa, já que representa o dia que os Orixás desceram do Òrún para conhecerem a grande criação de Olodum, executada por Oduduwa. Por isso os Candomblecistas devem respeitar a semana santa, não pelo que ela representa para a Igreja Católica, mas sim pelo ela representa para todos nós do Candomblé. Usem branco, se não podem usar a semana toda coloque na sexta-feira, ofereçam canjicas, pão, acaçás á Oxalá pedindo paz para o nosso Brasil. Protejam-se, usem o Contra-Egún, pois essa semana os Eguns ficam soltos, pois Iansã está em guerra e não pode prende-los.
Com o término da quaresma todos os espíritas tem por hábito se limpar (fazer ebó) para retirar todas as negatividades existentes, e descarrego para se resguardar das maldades existentes em nosso mundo.
Dentro das casas de Candomblé, hoje em dia existem variações com relação a esse ritual: os antigos zeladores para serem aceitos pela comunidade local, a exemplo do que faziam negros e negras como Chica da Silva, que viveu em no Arraial do Tijuco hoje Diamantina MG, entravam para as irmandades da igreja católica, como Sagrado Coração de Jesus, e seguiam seus rituais e preceitos. Assim sendo, introduziram dentro do Candomblé o ato de se resguardar a quaresma, ou seja, a casa fica fechada durante os quarenta dias desse rito.
Comumente vemos casas de Angola e mesmo algumas de Jejê ou Kêtu que mantêm suas festividades suspensas, pois acreditam que: “o santo está dormindo”, ou seja, afastado da terra e que somente exú responde e governa para eles durante essa passagem. No sábado de aleluia tocam o adarrum, toque sagrado para invocar os orixás de volta a nosso planeta.
Porém hoje em dia com a atual situação das religiões afro-brasileiras, esse tipo de ritual vem sido abolido em grande maioria das casas de candomblé, pois, conforme dizem seus zeladores: “trata-se de um ritual cristão e não do axé orixá”, assim sendo não veem motivo para que se mantenha na atualidade. Um outro fator que com certeza contribuiu e muito para a introdução desse preceito no candomblé, foi o fato de que os negros eram proibidos por seus “donos” a praticarem a religião de seus antepassados e assim sendo, primaram pelo sincretismo.
Mesmo em meados do século XX, ainda era comum a policia perseguir os templos de Umbanda e Candomblé, ocasião em que prendiam todos que se encontravam naquele local, então, os sacerdotes e sacerdotisas continuaram a manter o culto da quaresma como forma de mostrar uma “submissão” ao cristianismo, afastando assim a ideia de culto demoníaco, que erroneamente se tinha de nossa religião. Mas, com o avanço das leis, muitas casas hoje em dia, aboliram esse ritual, e assim sendo, podemos até mesmo ver saídas de yawô durante os quarenta dias que se seguem após a folia. Se esse ou aquele está errado, não me compete dizer, apenas posso afirmar que, se cultuando ou não a quaresma, o que realmente importa é que sigamos fielmente as leis de nossos Orixás, não nos importando as pedras que encontraremos em nosso caminho. Não nos importa o ritmo de cada casa e de seu sacerdote, o que importa realmente, é que sejamos fiéis à casa que nosso orixá escolheu, pois ele com certeza sabe o que é melhor para seus filhos.

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QUARTINHAS DE OXÓSSI

 

Trata-se de uma cerimônia destinada à Iya Apaoka ou Ìyá Nbanba (divindades) no ciclo das festa à Osoosi.

Esta festa a princípio era de exclusividade do Terreiro do Gantois, festejada no mês de Junho, foi introduzida na época de Tia Pulcheria da qual era iniciada e consagrada à Ode Ajaiyn Pako.

Em tempos atuais vemos esta festa tanto em São Paulo, assim como no Rio de Janeiro, mas na Bahia somente o Gantois à realiza. São inúmeras quartinhas e vasos das mais variadas formas, com arranjos de flores, mas apenas dentro de uma das quartinhas esta o maior segredo de Iya Apaoka e Ajaiyn Pako.

E somente um membro do Terreiro devidamente preparado poderá carregá-la. Este é um dos maiores segredos ainda de posse do Terreiro do Gantois.


Para que seja realizada esta cerimônia, deverá o Terreiro ter o Igbo Ode ou melhor "o pomar de Osoosi" onde estão "acomodadas" várias Divindades, Entidades e Deidades.

Uma festa sagrada que naquela época salvou as pessoas desta comunidade da "Clava da Morte".
Isto é mais profundo e não me foi permitido avançar alem do aqui explicado.
"Muitos conhecem este caminho de ODÉ com o nome de ONIPAPO, AJAIYN PAKO ou mesmo AJAIYN PAPO.

De acordo com minhas pesquisas e meu aprendizado obteve o conhecimento de que seu verdadeiro nome é AJAIYN PAKO.

Trata-se como mencionei, um caminho de ODÉ tão primitivo quanto o caminho de ODÉ WARA WARA que ensinou os homens a arte de caçar.

Este ODÉ esta "acomodado" ou "assentado" no AGBO ODÉ, mais conhecido como o pomar de OSOOSI, onde com ele moram inúmeras divindades, assim como IYA APAOKA, OTIN, BABA ESAKERAN, ODÉ ORE e outros.

Segundo os antigos este ODÉ recusa-se a morar dentro de quarto-de-santo ou qualquer lugar que seja de alvenaria e tenha telhado.
Seu culto é muito expressivo no AXÉ GANTOIS, onde é fortemente reverenciado e sua festa são as quartinhas-de-Oxossi.

A segunda mãe-de-santo
e sucessora dentro do GANTOIS, cito TIA PULCHÉRIA, que hoje descansa em paz aos pés de OLODUMARE, pertencia a este ODÉ.
Segundo os antigos este caminho de ODÉ não se manifesta em transe de possessão em seus noviços, embora possa ser iniciado e consagrado naquele que o pertence.

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