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VARIEDADES (34)

EGUNGUN

 

BABA EGUNGUN OLOMO KI NSUN O

MAA SUN KI O MAA GBAGBE ILE

MA FI OWO DIGI IGBAGBE MU LORUN

 

UM ANCESTRAL QUE POSSUI FILHOS E DEVOTOS NAO DORME

NÃO DORME E NAO ESQUECE SUA CASA

NO ORUN, MEU PAI, JAMAIS ABRACE A ARVORE DO ESQUECIMENTO (JAMAIS ESQUEÇA AS PESSOAS QUE TE LOUVAM)

 

De acordo com o Corpus literário de Ifa, Ori reside alternativamente na terra (aye) aonde somos conhecidos como ara aye (habitante da terra) e no Orun, espaço ancestral, aonde somos conhecidos como Ara Orun, ou cidadão do orun. Sendo assim, podemos concluir que a crença na ancestralidade esta baseada em dois conceitos extremos: 

Aye - mundo concreto 

Orun - espaço ancestral 

 

É sabido por todos, que os seres humanos têm sua origem ligada a um destino que começa a ser determinado no momento da fecundação, e que, sendo assim, o mesmo passa por dois estágios, nascimento e morte, ou seja, dois nascimentos, uma vez que na concepção yoruba, a morte não é o fim e sim, apenas o inicio de um novo ciclo.

O EMI (função vital que interage junto à ori) perpetuasse, uma vez que o mesmo esta associado ao nosso duplo no Orun (egbe orun), sendo assim independente de que ciclo Emi esteja associado , o mesmo circula entre o Orun e o Aye, criando um movimento e assim a possibilidade de manutenção concreta da energia ancestral.

Sendo assim, podemos concluir que sem a presença de Ori, e também do Emi, tornasse, sem sombra de dúvidas, impossível cultuarmos a ancestralidade.

Independente da idade do Baba Egun, com certeza, o mesmo para ser assentado necessitou de Ases da pessoa a qual aquele ancestre trará proteção, e o seu culto, na comunidade fará com que, com o passar do tempo, o mesmo abençoe seus devotos, saindo apenas do âmbito familiar.

Então faremos a clássica pergunta, se baba egun esta ligado a ancestralidade individual, como o mesmo pode abençoar mais de um devoto?

E também, como seria possível um Oje invocar e evocar seu baba egun independente do local que se encontre?

A resposta a essa questão e muito simples e se encontra presente em uma parte de um determinado Oriki direcionado a Baba Egun:

IBA ENI SOJE KI NTO MORA SÉ

EDUN GBONRAGANDA

A GBE AYE GBE ORUN

 

O grande venerável que vive entre os vivos e os mortos 

que se dobra em milhares de partes 

cidadão vindo do orun distante

 

MO RI AKUKO KAN SOSO BO IGBA EGUNGUN

Eu tenho um único galo para oferecer a 201 egunguns.

 

Em relação ao fato de um baba egun ser assentado somente em último caso em uma casa de orisa, discordo por diversos fatores:

1) A ancestralidade é algo concreto , enquanto existir o homem , tempo e desejo , existira o culto a baba egun. Em outro oriki de baba egun, dizemos que por mais problemas que tenhamos, nós que temos nossos ancestrais no orun estamos tranquilos, pois todas as nossas aflições e a solução das mesmas se encontram nas mãos de NOSSOS BABAS.

 

2) É NECESSÁRIO ENTENDERMOS AS DIFERENÇAS ENTRE INICIAÇÃO E ASSENTAMENTO:

INICIAÇÃO: despertamos nos seres humanos características que já se encontram presentes em nosso Ori.

ASSENTAMENTO: buscamos suprir algo que não esteja presente em nossa essência.

Sendo assim, o culto a ancestralidade e algo presente na vida dos seres humanos, uma vez que um ser humano sem seus ancestres e o mesmo que uma arvore sem raiz. O fato de que todos podem e devem cultuar sua ancestralidade, seja para buscarem maior movimento em sua vida, seja apenas para agradecermos aos ancestrais a oportunidade de estarmos vivos, seja pelo simples fato de estarmos em contato com energias que foram de sua importância para manutenção de nossa família, nada têm a ver com a questão dos mesmos poderem ou não se tornar sacerdotes de Baba Egun.

OKU OLOMO KI NSUN, O DI OWO BABA MI LORUN.

Um ancestral não dorme, não esquece as pessoas que deixou para traz; a solução de todas as dificuldades em minha vida está nas mãos de meus ancestrais no Orun.

 

Acredito que ao avaliarmos os acontecimentos e a estruturação do culto a Baba Egun na diáspora seja ela brasileira ou cubana, devemos, em um primeiro momento separarmos, fundamentos religiosos e condicionamento cultural. Acredito que pessoas que vieram antes de nós, fizeram o possível, para que nossas tradições se mantivessem através dos tempos, e o fato de eu, particularmente, ter optado por seguir o culto tradicional, em momento algum tira meu respeito, conhecimento e admiração pelas nossas tradições e consequentemente pelas pessoas que lutaram para que ela se perpetuasse.

Porém, reconheço que muito se perdeu. E a falta de determinados conhecimentos fez com que um certo misticismo criasse um determinado temor para justificar muitas práticas.

Aqui dizíamos, até muito pouco atrás, que mulheres não participam do culto a baba Egun, mas podemos perceber, em um dos mais variados ORIKIS - EWI - ESA justamente o contrário:

BI OBINRIN MO AWO

BI OKUNRIN MO AWO

KO GBODO WI

KO GBODO FO

KO GBODO SO

EGUNGUN ILE BABA AJOFOYINBO OOOOO

OMO A REKU , TOSI NU

ODUN BABA WA LA NSE O

 

Igba yi a gbe wa

A mulher que conhece o segredo, não deve revela-lo

O homem que conhece o segredo, não deve revela-lo

Eles não devem abrir a boca

Eles não devem falar

Chegou o Egungun Baba Ajofoyinboooo

que venerando seus ancestrais afasta a pobreza e a doença

estamos venerando nosso pai ,

esse tempo nos será favorável.

 

Aqui dizemos que não se pode tocar em Baba Egun, que o contato com a roupa e prejudicial, mas o que vemos em território africano e totalmente diferente.

Baba Egun com crianças no colo, abraçando seus filhos e devotos, muitas vezes inclusive, louvando, e pedindo proteção a crianças:

EGUNGUN BABA AJOFOYINBO OOOOO

OMO LAGBAJA RE O 

MA JE IKU O PA O 

MA JE ARUN O SE 

JE O DAGBA

KI O GBEYIN BABA ATI IYA 

KI O SE ORI RE 

MA JE OSO , OLOGUN IKA O RI PA 

MA JE AJE OLOGUN IKA O RI PA 

 

Egungun Baba Ajofoyinbo ooooooo

aqui esta o filho de :

proteja-o contra a morte 

proteja-o contra a doença 

ajude-o a viver bastante 

que ele não morra antes dos pais

que tenha muita sorte na vida 

proteja-o para que não seja destruído pelos feiticeiros 

proteja-o para que não seja destruído pelas feiticeiras .

 

Em momentos de dificuldade, crises familiares consanguíneas ou religiosas, Baba Egun, muitas vezes atuam como juízes, uma vez que os envolvidos são levados a sua presença e após a apresentação e correta evocação, são feitos os relatos do ocorrido.

As citações acima mostram a influência e a importância da ancestralidade nas relações sociais e cotidianas. Um ancestral insatisfeito com comportamentos sociais inaceitáveis, como adultério, desrespeito aos mais velhos, transgressões de interdições ou o não cumprimento de leis que regem a vida social do povo, muitas vezes atua como conselheiro, avaliando as situações a aconselhando seus filhos e devotos, para que a ordem seja restabelecida.

Além de prestar auxílio ligado a ordem social, os ancestrais são evocados para auxiliar no progresso da agricultura, garantindo chuvas e boas colheitas, etc.

E impossível avaliarmos os acontecimentos passados, para que possamos entender o porquê o culto a BABA EGUN foi desassociado do culto a Orisa. Mas devo mencionar que o mesmo ocorreu com o Ifa.

Na Nigéria e no Benin, esses cultos não são diferentes, interagem juntos, são partes de um todo e a verdade maior disso tudo esta na IGBA ODU, ou cabeça da existência, representando os dois espaços, Céu e terra, Orun e Aye e as divindades e manifestações energéticas que interagem em conjunto.

Em meu ponto de vista, é impossível falarmos de nossa religião, sem darmos aos ancestrais o verdadeiro papel que eles merecem. Ancestrais não devem ser temidos, devem ser amados e louvados, e nós, Sacerdotes capacitados para trazermos o conhecimento e a liturgia ancestral, devemos nos conscientizar assim como os demais praticantes da importância de ter acesso as possibilidades criadas ao estarem em contato com os mesmos.

Não existe diferenciação dos BABAS EGUNS cultuados na Ilha, dos cultuados no Benin ou na Nigéria, ou mesmo os que podem vir a ser cultuados nos ILES LESSE ORISAS, existe a necessidade de conscientizarmos e prepararmos sacerdotes para que possamos lhes render homenagens.

IBA NBE LENU MI O O

ASE SI NBE LOWO ARA ORUN

E MAA JE IBA O WUN WA O O

SE TE FUN WA , OUN LA NLO

I O BA SI ATO ASE KI NDOMO

BI O BA SI ASE ATO KI NDOMO O O

AWA LASE

ENYIN LATO

AWA LATO

ENYIN LASE

 

A forma correta de saudar esta em minha boca

O ase esta junto ao venerável cidadão que vêm do céu

Permitam que minhas saudações sejam favoráveis

Estou evocando o ase que vc nos deu

Sem o poder do sêmen o ovulo não fecunda

Sem o poder do óvulo o sêmen não fecunda

Vocês são o sêmen

Nós somos os óvulos

 

 
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IKÚ

 

 

Ikú, a Morte é um Orixá, designado por Olodumare para uma função derradeira. Existem e são raríssimas, pessoas de Ikú que, evidentemente, não são iniciadas, cumprem normalmente seu destino e tem funções específicas num Ilê Axé.

Oyekú Mejí é primeiro caminho à terra, quando o Odú Oyekú Mejí chegou à Terra, a morte ainda não existia. Orixá Ikú (morte) nasce nesse caminho para cumprir sua função na Terra, Opirá. (FIM).

Oyekú Meji representa essencialmente a Morte, a profunda escuridão, representa também o lado esquerdo, o este e o princípio feminino.

Ikú vem buscar a pessoa no dia derradeiro e esteja nas condições que estiver, para levá-la de volta ao interior da terra, ao ventre de Nanã.

Ikú cumpre rigorosamente sua função e somente aqueles que conhecem os omo-odús de Oyekú Mejí, poderá conversar com a morte, e por um breve tempo. Somente através do Imolê Exú e num determinado Odú é e que se faz oferendas a Ikú, estabelecendo pactos e acordos com Ikú para adiar e afastar a morte, aliado aos bons ebós.

Pai Agenor dizia que: a troca pela vida, através de oferendas, é o ponto central do culto aos Orixás, a vida, nada mais é, que a mais valiosa de todas as trocas e também a mais cara.

As trocas não são eternas, chegará o dia que Ikú terá que cumprir sua função e ainda exigirá oferendas, para garantir que só levará apenas um. Há casos famosos de zeladores que depois de mortos, Ikú voltou algumas vezes para cobrar sua oferenda e não encontrando levava seus filhos, acabando muitas vezes, com a casa de candomblé.

Com Ikú não se brinca, quando Ikú chega o nosso Orixá não está mais conosco, sabe que já cumpriu sua função e somente Orí acompanha a pessoa até o fim.
Axé.

 

Fonte: Fernando D’Osogiyan

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EWÊ LÁRÁ

 

Nas casas de costumes Iorubá, Fon, Ewe-Fon e Cabinda, a folha da mamona é usada para enrolar ebós, pratos de orixás, fazer sacudimentos e até mesmo em feituras e cortes de Exú. A folha da mamona pertence aos orixás envolvidos com a morte, como Omolú, Oyá, Nanã e demais entidades afros. As mamonas são favas usadas para feitiços, no culto de Egúngún e de Iyá-mí Agbás, pois, serve de ligação cultural e espiritual dos ancestres para com os decendentes.

A mamoneira para a ciência.

Ricinus communis L., conhecido popularmente como mamona, mamoneira, carrapateira, carrapato1 e rícino, é uma planta da família das euforbiáceas, bem como a semente dessa planta. Recebe outras designações, conforme a região: em algumas regiões da África, é abelmeluco; na língua inglesa, é castor bean; na língua espanhola, é ricino, higuerilla, higuereta e tártago.

O seu principal produto derivado é o óleo de mamona, também chamado óleo de rícino. Embora seja usado na medicina popular como purgativo, este óleo possui largo emprego na indústria química devido a uma característica peculiar: possui uma hidroxila (OH) ligada na cadeia de carbono. Não existe outro óleo vegetal produzido comercialmente com esta propriedade. Plantas do gênero Lesquerella também produzam óleo hidroxilado, mas elas ainda não são cultivadas comercialmente. O ácido graxo hidroxilado se chama ácido ricinoleico. Outra importante propriedade do óleo de mamona é ser composto entre 80 e 90 por cento de um único ácido graxo (ácido ricinoleico), o qual lhe confere alta viscosidade e solubilidade em álcool a baixa temperatura. Pode ser utilizado como matéria prima para o biodiesel, mas a quase totalidade do óleo de produzido no mundo tem sido utilizado pela indústria química para produtos de maior valor agregado.

A semente é tóxica devido principalmente a uma proteína chamada ricina, que quando purificada é mortal mesmo em pequenas doses2 . O óleo é de difícil digestão (provoca diarreia), mas o maior risco na ingestão da semente é a toxina ricina. Mais de três sementes podem matar uma criança; mais de oito, um adulto. Possui ainda uma potente proteína alergênica chamada CB-1A ou Albuminas 2S presente nas sementes e no pólen. Um terceiro componente ativo na mamoneira é a ricinina (não confundir com ricina). A ricinina é um alcaloide que pode ser encontrado em todas as partes da planta. Este alcaloide tem efeito sobre o sistema nervoso central e pode causar diversos efeitos como convulsão, melhoria da memória, falta de equilíbrio e outros. As maiores concentrações de ricinina são encontradas nas flores e em folhas jovens.

Os principais países produtores de mamona são a Índia (74%), a China (13%), o Brasil (6,1%) e Moçambique (2,5%) (2011, FAO), sendo os principais consumidores: China, Estados Unidos, França, Alemanha e Japão. No Brasil, a produção está concentrada no Estado da Bahia (67%), seguida do Ceará (15%), Minas Gerais (11%) e Pernambuco (3%).

Temperatura ideal de cultivo deve ser entre 20 a 35o C para que haja produções que assegurem valor comercial, com a temperatura ótima para a planta em torno de 28 C.

 
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O  PODER  DA CABAÇA

 

Um dos grandes mistérios contidos nas religiões afro-brasileiras é o uso ritualístico da cabaça. Alguns adeptos chegam desconhecer esse fundamento, mas esse pequeno texto ressaltará a importância desse elemento especialmente dentro do culto de Exu.
Em primeiro lugar, todos devem ter ciência que a cabaça é um fruto e suas sementes são comestíveis. Provavelmente em épocas remotas tenha se espalhado pelo mundo através dos rios e mares, afinal, por serem lacradas e flutuantes, suas sementes estão protegidas. Ao encontrarem solo favorável germinavam. Por tal motivo arqueólogos já encontraram artefatos feitos em cabaças em diversas culturas espalhadas pelo mundo.
Esse é o primeiro mistério desse fruto: “Proteção”! É um elemento que protege suas sementes e resiste às jornadas da vida. O segundo mistério é: “Expansão e Crescimento”, pois a partir do primeiro pé se espalhou pelo mundo inteiro. Esse princípio é descrito nos cultos afro como ‘àdó-iràn’ ou a cabaça que contém a energia/força que se propaga. Segundo o culto Yorubá, quando Èsú aponta a ponta de sua cabaça para algo, transmite seu àsé (energia vital). A cabaça pontiaguda possui uma relação esotérica com a própria força masculina e dinâmica, como se representasse o aparelho reprodutor masculino (falo, bolsa escrotal e os espermatozoides-sementes).
“...Nas religiões afro brasileiras, a cabaça é igba, na terminologia nagô, que representa o universo, o masculino e o feminino; o símbolo da união de Obatalá e Oduduwá, o Céu e a Terra...” (Jeff Celophane)
Dentro do culto africano, Èsú é tanto portador do sêmen como do útero ancestre, além de ser condutor do princípio da vida individualizada. A Quimbanda também entende dessa maneira, entretanto, separa as funções por polaridade, ou seja:
- Exus, positivos, dinâmicos, portadores do falo mítico (Okane) cuja cabaça pontiaguda representa a energia masculina.
- Pombagira, negativa, receptiva, portadoras dos segredos do útero ancestre cuja cabaça é arredondada.
As sementes da cabaça pontiaguda possuem propriedades espirituais fortíssimas que podem descarregar energias nocivas e carregar o corpo com energias dinâmicas. Um banho feito com tais sementes propicia ao adepto forças de abertura de caminhos. Já os banhos feitos com as sementes da cabaça arredondada (similar a um coco) funcionam como forte atrativo de energias vitais. Algumas mulheres tomam banho de semente de cabaça para engravidar.
Certo é que a cabaça possui vários usos. São excelentes recipientes para os pós e pembas mágicas, pois asseguram que a energia não se dissipe. Cortadas horizontalmente são as cuias apropriadas para o uso nos banhos de ervas, pois fornecem parte da história de sua evolução para o líquido (sangue verde).
Nossa Tradição também gosta de servir o marafo ao Povo da Mata (Exus e Pombagiras) em pequenas cabaças cortadas horizontalmente. Chamamos esses instrumentos de “coité”. Dessa forma as bebidas recebem os mistérios de vida e morte contidos na cabaça.
Existem práticas obscuras feitas com a cabaça, tais como explodi-las com a tuia (pólvora) para afastar e eliminar os inimigos. Nessas ocasiões é cantado o ponto:
“Exu quebra a cabaça, espalha a semente, afasta todo mal que ronda a gente!”
As cabaças são usadas para muitos feitiços e mirongas. Suas propriedades são perfeitas para uma infinidade de práticas. Lembramos que é um dos materiais indispensáveis nos assentamentos de Exu e, em certos casos, tornam-se o vaso que Exu é assentado.

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FOLHAS  SAGRADAS

 

 

O Candomblé é uma religião de matriz africana que cultua os Orixás e toda a Natureza. Por este motivo todos os rituais realizados numa casa de axé contam com as presenças de muitas ervas, muitas folhas sagradas. Pelo fato de se usar o dialeto Yorubá nas conversas entre o povo de santo, explicaremos abaixo os nomes das folhas também no idioma portugues para facilitar o entendimento dos internautas visitante do nosso site. Assim postaremos abaixo os nomes das folhas em Yorubá com a tradução para portugues.

 

Abafe ilé = fedegoso

Rékúrékú = fedegoso roxo

Olugboró = fedegoso rasteiro

Ábajé = folha do inhame

Agbalakosé = falsa mosqueia

Ariwó = chama mosca

Ilákósín igbó = folha de amêndoa

Ábamódá = sangue lavo

Érú odudu = folha da costa

Kantikanti = saião

Kóronpón = coitama

Ábárá oké = folha de baunilha de nitre

Ábebe osun = erva capitão

Abékó = arroz bravo

Abéikó = folha de arroz

Abíkóló = erva botão

Arójóku = erva da noite

Orójókú =dama da noite

Áárágbá = erva meio dia

Abírunpó = folha do maracujá

Abitolá = cambará vermelho

Abo = araticu da areia

Aréré = capim matreiro

Áfón = capim transassem

Abo ógánmó = andrioba

Éfuu yá = folha do algodão

Abojájá = caruru da Bahia

Ajégbéhin = bredo do campo

Abo lábejábe = capim tiririca

Abo réré = fedegoso verdadeiro

Abo oriré = capim mata pasto

Opa iku = quarana

Asíwmáwú = folha de abóbora

Adáwérésewéré = folha da cabaça

Abo yareré = folha do pepino

Afé = araticun do brejo

Afegiagagaké = pinha do brejo

Afóforo igigbalodé = jasmim de caiena

Afóforo óyínbó = margosa

Afómom = erva passarinho

Áfon = espinhela falsa

Ágánerigbo = capim aranha

Ayáná móigbó = gloriosa

Móórá = folha da amoreira

Ewéajé = fumo bravo

Yángámú ódán = fumo roxo

Oná pupa = erva de santa Maria vermelha

Kádúnkódun = mamona branca

Agemó kodún = capiçobá erva lanceta

Agidimagbáyin = erva de vassorinha

Ágbádó = fruto do milho

Igbádo = folha do milho

Oká = sabugo

Yangá funfum = milho branco

Eringbádó = folha do milho de pipoca

Erinká = milho roxo

Eginrin ágbádó = folha do quiabo roxa

Elépéé inlá = folha do quiabo branca

Ijééré = capim santo

Ágbáon = imbaúba ou umaúbá

Ágbásá = folha do aniz

Átápári = pimenta dedo de moça

Átáári órukó = pimenta malagueta

Agbári óbukó = folha ardida ( qualquer folha ardida )

Igi ágbón = palmeira da Bahia

Agbémó = folha de batata doce

Agbemó okun = folha da batata doce roxa

Agogô = brinco de princesa ( todas as folhas e flores que imitam um sino )

Agogô igun = crista de galo

Óógun = folha que imitam uma espada ou faca

Ogbé akunkó = crista de galo branca

Akunkó Dudu = crista de galo preta

Akunkó fumfum = crista de galo branca

Ahon ekú = falso cardo

Ehún arúgbó = cânhamo brasileiro

Ópípí = canela de velho

Ópípí oko = folha de canela de velho roxa

Ájágbáo = folha de tamarindo

Ajígbawá = campainha vermelha

Atéwó edún = campainha rosa

Ájobi fumfum = aroeira branca

Ájobi pupa = aroeira vermelha

Jinjin = bredo da terra

Ákáro = dinheiro em penca

Akesse = algodão gigante ( também é dado este nome para a paineira )

Akínsálé = juá e pitanga

Ejirin ajé = jeticuçu

Ejirin odan = fruto da pitanga

Ejirin olokun = bétis cheiroso

Akoko = folha do precipício de ligação com aiye e orum

Ako iré = pau cadeira

Ako ewuro adó = cruz de malta

Ewúro adó = erva de santa luzia

Iram = dormideira

Irowo = dormideira

Ikúúúkú erin = canábis sensitiva

Aládé = erva de são bento

Aládum =olho de cabra

Ewé aladun = olho de pombo

Mééssén sé itákun = ervas 9 pontos

Alákéssi =são gonsalinho

Aláwéré = língua de vaca

Ajígbórere = beldroega grande

Gburé = Mangerona

Áló = cara do Pará

Agandán = cará moela

Ábájé = 7 sangre sangria

Apépé = capim marmelada

Aginipá = erva mata pinto

Óparapá = erva de cavalo

Óló = espanta aranha

Pá-nságá = quebra demanda

Álubosá (Alobaça) = cebola branca

Álubosá pupa = cebola roxa

Alubosá ketá = cebola de gomos

Élubósá = cebola em folha

Álúbósá élewé = cebolinha branca

Álukerese = jitirama

Álukí = aspargos

Álupáiydá = língua de galinha

Amú = sete sangria

Amúkú = leguminosa = malicia das mulheres

Amúkúlo = erva mimosa

Amúnibímo = caiapós

Ánamó yáyá = ( leguminosa batata doce _

Édunmisi = ( leguminosa batata comum )

Kúnkunkundu = ( leguminosa batata roxa )

Ódundunku = mil homem

Ánkémi léti = erva jarrinha

Ápahá = procaxi da folha grande

Paálá = folha de inhame

Kákó = erva de banha

Ápako = bambu

Pákó = folha do bambu

Apárum = broto do bambu

Opa = a raiz do bambu

Ápalá = abóbora amarela = moranga

Ápáárá = sucupira

Ápáoká = folha da jaca

Taponrunrin =fruto da jaqueira

Ápejébi = sete sangria

Aparejó = dois amores

Árágbá = mafumeira

Égungun águun = erva polido

Éégun =sumaumeira

Owó éégun = sabugueiro

Ágbungun = espada se são Jorge

Áridan ( leguminosa = fava )

Áidan =a folha do pé de eridan

Ariwó = cânhamo

Árun sánsán = metrastro

Imiesú = mastruz

Akó yúnyun = mastruz rasteiro

Ásárágogo = vassoirinha de relógio

Ásikutá = malva amarga

Ásikutá ajikútú = malva cheirosa

Ásínwówo = Maria preta

Atá isénbáye =pimentão

Atá pupa =pimentão vermelho

Ataré =pimenta da costa

Atá olóbénkán = pimenta malagueta

Óbúró = amolo

Atalé = gengibre

Dánguró = capim gordura

Átójó átérún = capim gomoso

Atójó kérére =capim marianinha

Átoríí = goiabeira

Átomirina = sabugueiro

Atúnmotó = andu do mato

Awó erédé = manjericão

Aiyrinré = coração de negro

Bánbaná = salsa

Aíyó = alho

Ayó pupa = alho roxo

Bááká = palma de santa Rita

Banii =aroma

Beréfutu =malmequer

Burefú =fruta pão

Bommubomu = flor da seda

Bonníii = esponjeira

Bújé =´jenipapo

Dágírí dobo = trombeta

Dandá labe labé =navalha de macaco

Dánguró = carrapicho rasteiro

Diamba =maconha

Dógbódógbó =capim de cheiro

Eéssun = capim elefante

Éesún fun fun =capim branco

Éesún pupa = capim vermelho

Ésísún = cana de burro

Ikésén =cna de açúcar

Éékún ahún = cardo do México

Eékun ahún = abacaxi

Éénmó éyé = capim do pombo

Éé´rú = pimenta do reino

Éérunjé = malagueta preta

Éfirin = assa peixe

Ééfirin = manjericão

Awó erédé pupa = manjericão roxo

Amúnú tutu pupa = folha da beterraba

Amúnú nlá ( leguminosa = beterraba )

Efó tété = cauda de raposa

Efó iyarin = língua de vaca

Efunlé = erva corre corre

Égbá = erva do mangue

Igba Dudu = arvore do caranguejo

Atanká = falso oro

Égé = feijão branco

Isé ááá – folha do feijão branco

Olojú edun = feijão de fava

Égé fun fun = mandioca

Egélé = erva passarinho

Égúnmó = figueira do inferno

Égunmólé = erva m,oura

Éhínmsówó = quebra pedra

Ejáómodé ou osibatá = baronesa

Ejírín = balsamo

Ewéejirinm = melão de são Caetano

Éjirinwéré =fruto da cobra

Ejó ógunm = fedegoso

Réré pupa – cerne do campo

Ej´pokun = café do mato

Éésíny = café

Ewé iná = folha do café

Awureépé = alucinógena folha da noite

Ékájú = caju

Ekéilé = jasmim da terra

Ekelegbará =Maria perpétua

Ekeleiyn = bonina

Ékó ómodé = graviola

Ékunkun = vácua

Ékunkúnahun = ananases

Ékuruin = malva branca de Santarém

Ékunrin oko = malva guaxima

Elédá wóró =capim mimoso

El´gué = cardo santo

Eleguédé = jerimum

Éjóju = cajueiro

Elékikóbiy = tâmaras

Elekú =cambárá roxo

Elésin másó = picão roxo

Ajísomolabiolá = carrapicho de agulha

Émi =limo da costa

Emi emi = limo do brejo

Émigidi = limo da terra

Émi gbégi =limo da água

Oju isin =caaxira

Épágidi =amendoim

Erééahun = feijão de corda

Erú bujé = assaca

Erúinagbó = cravo de defunto

Éru isápá = fava branca

Eérúúgbó = vime

Éru óórungó =erva cidreira

Esá = cânhamo brasileira

Gbají = capim galinha

Gbégi = capim pé de galinha

Gsisi =urtiga

Ésin = abóbora da guiné ( mugongo)

Esófelejé = trombeta

Estí = falsa erva cidreira

Estitáré =maricotinha

Éwáowo = manjericão

Éwoá = feijão

Éwoá Dudu = feijão preto

Ew´wsugu = feijão fradinho

Eweajé = erva da infelicidade

Ewé arán = lombrigueira

Ewé baba = tapete de osala (Boldo)

Ewé dújútona = arrebenta pedra

Ewé epe = cansanção branco

Ewé firiri = taquari

Ewé ida orisa = espada de são Jorge

Ewé inon = folha do fogo

Ewéisin = cascaveleira

Ewwiyá = capeia

Ewé lara funfun = mamona branca

Ewélára pupa = mamona roxa

Ewéméssan = para raio

Ewéodé = carrapicho beiço de boi

Ewéokowo = erva vintém

Ewé owu =algodão

Ewé oiyá = casuarina

Peregun = paud!agua

Peregun funfun = coqueiro de Vênus

Perregun mo inon = pau dagua roxo ( peregun vermelho)

Pwétete = bredo

Awuaró =afuma

Fálakuni = corredeira

Ofáetu =taquarinha

Gbági = pata de vaca

Gboroáyágbá = salsa da praia

Ibépe = mamoeiro

Ida oiya = espada de oya ou espada de santa bárbara

Infin =malvaisco

Óóréé = junco bravo

Ifú =cana de vassoura

Igi pupa = ( toda arvore que da uma folha vermelha _)

Igba aja = jurubeba

Igédu = cana do mar

Igiope = dendezeiro

Mariwô = folha do dendezeiro

Kóókó = capim guiné

Ikó = jupati

Apakó = cordão de frade

Óká = cordão de são Francisco

Ilá = quiabeiro

Inlá – quiabo

Imi iyni =capim formigueiro

Imi ologbó = erva ferro

Imu =azedinha

Imurin etáwa = trevo de três folhas

Ipá oloméregun = capim santo

Ipápó = ingá bravo

Ipólérin = babosa

Iréké = cana de açúcar

Iroko = gameleira branca

Iróeku = verônica

Isápá = quiabo roxo

Iséré ogu = abóbora de pescoço

Isin oká = castanheiro da áfrica

Isú = inhame

Isumi ure = erva de são João

Ita =pitangueira

Itété = janauba

Iyábeiyn = erva mãe boa

Yyálodé = pinhão dos barbados

Abojájá =caruru do brejo

Ijékonjó = cipó milomem

Olátorijé = poejo

Ájofá = urtiga vermelha

Kajókajó = guaraná ( folha )

Kálefemiji =mimosa

Óririjáá = bochas de cipó ( para banho )

Kankinsé = maracujá

Kanran = ébano

Kanreji =carqueja

Óóru = cordão de frade

Kurukurawó = batatinha

I[obótujé = pinhão roxo

Ilkárá = recinto

Iewué = pimenta macaco

Manturussi = erva de santa Maria

Obi = cola

Ódundun =folha da costa

Eleti = folha da fortuna

Ófia = cansanção

Ogédé = banana

Ewéopeogede = folha da banana

Ogédé égbágbá- banana da terra

Óguédé ntiti = banana nanica

Ógiriywi = melancia

Ojájkorijó = folha de são Jorge

Ójuporó = alface da água

Ojusaju = alho da água

Ókiká = cajazeira

Ewé aladun = Trento

Ómúm = todos os tipos de samambaia

Orogbó = folha do ´pé de orogbo = citrous arantinus

Osé igbéélújú = baoba

Óósun = urucum

Ótili = andu

Parufurugbá = maniçoba

Pamámó aluiro = dormideira

Patiogba = folha do fruto do inhame da água

Patunmó = unha de gato

Sájéjé = alecrim

Segbá =abobrinha

Ségunsété = amor cristalino

Soko y´kótó = veludo branco

Tabataba egusu = fumo

Tánrejirin = laranja ou tangerina

Tétéelégunún = bredo de espinho

Tétégundó = cana de macaco

Totódun =alevante

Ekué = tomate

Yáwué =capeia

Yólógbá – erva quebra calçada

 

 

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ORIXÁ  AJALÁ

 

Ajalá (Ájàlá) é o oleiro primordial. A parte de Oxalá responsável pela criação física dos homens, por seu corpo, sua cabeça (onde vive Ori). Não só isso, Ajalá também é aquele que molda a natureza usando os próprios materiais que lhe é proporcionado, Ajalá seria a água que molda a terra, o vento que molda as montanhas e pedras, é a madeira moldada pelos animais e insetos, é simplesmente aquele que molda tudo principalmente a cabeça, o ínicio de um ser, por isso, sempre se começa pela cabeça, ela é a base de tudo. Ele representa o aspecto mais orgânico do ser humano; o tipo de barro, de maior ou menor qualidade, mais ou menos cozido (o que implica maior ou menor número de problemas), mais claro ou escuro. Ajalá mistura ao barro folhas, frutas, minérios, sangues e uma série de materiais que determinam como será aquela pessoa, como Ori poderá agir nela. Estes ingredientes, com o tempo perdem o axé (energia) e precisam ser, de vez em quando, repostos, o que é feito nos rituais de candomblé, entre eles a iniciação. Diz um dos mitos que Ajalá foi incumbido de moldar as cabeças dos homens com a lama do fundo dos rios e outros elementos da natureza. Ele moldava as cabeças e as punha para assar em seu forno. Ajalá tinha, contudo, o hábito de embriagar-se enquanto cozia o barro e criou muitas cabeças defeituosas, queimando algumas e deixando outras com o barro cru. A causa dos problemas que muitas pessoas apresentam antes de serem iniciadas viria exatamente de um ori cru, ou queimado, ou mal proporcionado feito durante alguma bebedeira de Ajalá. Como os orixás não gostam de cabeças ruins, a pessoa ficaria desprotegida, sem a energia do orixá. Depois que Ajalá terminava de fazer os oris (cabeças) Obatalá soprava nelas e lhes dava emí, a vida.

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