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VARIEDADES (34)

EKÓDIDÊ

 

Conta a lenda que Oxalá, numa de suas caminhadas pelo mundo, iria passar pela aldeia de Oxum, onde pretendia parar e descansar. Exú, mensageiro dos orixás, correu para avisar Oxum que o grande orixá fun-fun estava a caminho de sua cidade. Era preciso organizar uma grande recepção, pois a visita era muito importante para todos. Ela, então, apressou-se com os preparativos da festa, ordenando a limpeza de todas as casas e lugares públicos da aldeia, bem como que os enfeites utilizados fossem da cor branca. Oxum cuidou pessoalmente da ornamentação e limpeza de seu palácio, pois tudo tinha que estar perfeito, à altura de Oxalá. Com tantos afazeres importantes, em tão curto espaço de tempo, Oxum não se lembrou de convidar as Iya-mi para a grande festa. As feiticeiras não perdoaram essa desfeita. Sentindo-se muito desprestigiadas, resolveram desmoralizar Oxum  perante os convidados. No dia da chegada de Oxalá à cidade, Oxorongá entrou disfarçada no palácio para colocar, no assento do trono da Oxum, um preparado mágico, que não fora notado por ninguém. Toda a cidade estava impecavelmente limpa e ornamentada. O palácio de Oxum, que fora caprichosamente preparado, tinha seus móveis e utensílios cobertos por tecidos de uma alvura imaculada. Branca também seria a cor das roupas utilizadas na cerimônia. Oxalá finalmente chegou, sendo respeitosamente reverenciado numa grande demonstração de fé e admiração ao grande mensageiro da paz. Oxum, sentada em seu trono, esperava com impaciência a entrada de Oxalá em seu palácio, quando iria oferecer-lhe seu próprio assento. Mas, ao tentar levantar-se, percebeu que estava presa em sua cadeira e, por mais força que fizesse, não conseguia soltar-se. O esforço que empreendeu foi tão grande, que, mesmo ferida, conseguiu ficar em pé, mas uma poça de sangue havia manchado suas roupas e também sua cadeira.
Quando Oxalá viu aquele sangue vermelho no trono em que se sentaria, ficou tão contrariado, que saiu imediatamente do recinto, sentindo-se muito ofendido. Oxum, envergonhada com o acontecido, não conseguia entender porque havia ficado presa em sua própria cadeira, uma vez que ela mesma tinha cuidado de todos os preparativos. Escondendo-se de todos, foi consultar o oráculo de Ifá para obter um conselho. O jogo, então, lhe revelou que Oxorongá havia colocado feitiço em seu assento, por não ter sido convidada. Exú, a pedido de Oxum, foi em busca do grande pai, para relatar-lhe o ocorrido. Oxalá retornou ao palácio, onde a grande mãe das águas estava sentada de cabeça baixa, muito constrangida. Quando ela o viu, começou a abanar seu abebê, transformando o sangue de suas roupas em penas vermelhas, que, ao voar, caíram sobre a cabeça de todos os que ali estavam, inclusive a de Oxalá. Em reconhecimento ao esforço que ela empreendeu para homenageá-lo, ele aceitou aquela pena vermelha (ekodidê), prostrando-se à sua frente, em sinal de agradecimento.
A partir de então, essa pena foi introduzida nos rituais de feitura do Candomblé.

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GALINHA DE ANGOLA

 

A galinha de Angola, chamada Etun ou Konkém no Candomblé; ela é o maior símbolo de individualização e representa a própria iniciação. A Etun é adoxu (adosú), ou seja, é feita nos mistérios do Orixá. Ela já nasce com Exú, por isso se relaciona com o começo e com o fim, com a vida e a morte, por isso está no Bori e no Axexê.

Diante das exigências primeiras sob a insígnia de Exu, o "senhor do mercado", os filhos-de-santo se inserem definitivamente em um sistema de obrigações e prestações, incorporando-se à estrutura hierárquica do terreiro, onde deverá realizar o bori, ou seja, a "feitura da cabeça", segundo os preceitos da vida piedosa de uma existência individualizada no candomblé, moldada pelos ritos iniciáticos.

O ritual do Orúko, ou dia-do-nome, revela a público a reprodução social do terreiro pela adesão de novos adeptos, que saem do recolhimento no runcó catulados, raspados, adoxados e com o corpo coberto de pintinhas brancas; metaforicamente renascidos, portanto, como galinhas-d'angola. Considerada um "bicho feito" na cosmologia do candomblé, a galinha-d'angola é o símbolo focal dos ritos de iniciação, elo de comunicação direta entre os homens e os deuses, ideal de plenitude da vida.

A obrigação final de ir à missa encerra o processo ritual de iniciação com uma espécie de desafio, que tem lugar no templo e no rito de outra confissão religiosa. A vindicação do sagrado sob a forma de um escândalo, marcado pela presença visível do povo-do-santo no espaço público da igreja católica, transforma-se em uma experiência definitivamente inscrita na memória dos novos iniciados. Afinal, por que o iaô tem de ir à missa?

No jogo entre a humildade e a arrogância dos iaôs em romaria, os limites identitários e o conflito deflagrado permitem uma interpretação que escapa das armadilhas espistemológicas do "sincretismo", insuficiente para explicar as transações e o engajamento conversacional estabelecido entre dois universos religiosos distintos e dialeticamente complementares no Brasil.

A galinha d'angola está presente nas mais importantes cerimônias do candomblé. Sem ela não existiria vida, já que representa o elemento primordial nos mitos de criação, o alimento de deuses e de homens, a oferenda propiciatória de axé e equilíbrio, enfim, o bicho "feito" tão à mostra que não se tinha dado a ela, até então, a devida importância.

Mas é justamente a guiné, a galinhola, a pintada, a conquém o fio condutor pelo qual adentramos os terreiros, participamos de suas cerimônias, discutimos conceitos de vida e axé e, ao fazê-los, estamos dando, com certeza, um passo importante em direção à compreensão de nossa formação social e à conseqüente afirmação de nossa identidade.

A história da Galinha d'Angola

A Galinha de Angola era uma ave muito feia e por isso, afastava as pessoas de perto de si, mesmo sendo muito rica. Ela vivia abandonada em uma grande floresta em meio a sua riqueza.

Cansada de ser desprezada, resolveu consultar o oráculo sagrado no Palácio de Obatalá. Quando lá chegou, o Sacerdote a colocou para fora, dizendo que ela deveria estar usando um Alá branco para entrar na casa do Grande Deus Funfun. Ainda mais triste, a Galinha de Angola resolveu ir para outra floresta e de uma vez por todas, deixar de conviver perto de
tudo e todos.

Após 21 dias caminhando, a Galinha de Angola parou em uma floresta, sem saber que era sagrada (Igbodu). Lá, ela encontrou um velho maltrapilho gemendo de dores. Esse velho disse:

“Pare! estou muito doente e não tenho dinheiro para me alimentar, me dê o que comer e beber, por favor,”!

A Galinha de Angola pegou tudo o que tinha e deu ao velho homem que, após saciar a sua fome e sede, caiu dormindo em sono profundo. A Galinha de Angola continuou preocupada com o velho e ficou ao seu lado enquanto ele dormia. Ao acordar, o velho perguntou-lhe, porque ainda estava lá, fazendo companhia para aquele velho maltrapilho.

A Galinha começou a dizer que não poderia abandoná-lo, pois ele estava precisando dela, dize sua história ao velho, falando que todos lhe achavam feia, com um aspecto repugnante e que não mais queria viver.

O Velho respondeu que o seu exterior não importava em nada, pois por dentro, ele era um dos seres mais belos que existia. Disse que aquela era uma floresta sagrada e que na verdade, ele era Obatalá. A Galinha de Angola ficou surpresa com a revelação, pedindo-lhe desculpas por entrar na floresta sagrada.

Obatalá pegou Efun e começou a pintar a Galinha de Angola, que ficou muito bonita. Além disso, Obatalá disse que, o maior símbolo para os iniciados era o Osù e modelou um na superfície da cabeça da Galinha de Angola, dizendo que, a partir daquele momento, ela seria o Animal mais Sagrado do Culto aos Òrìsàs, pois somente ela, traz o Grande Osù em sua cabeça.

Essa história é um grande ensinamento, pois mostra que não podemos julgar ninguém por sua aparência, mostra que não devemos jamais negar comida e bebida. Nossa religião oferta, ajuda e acolhe, essa é mensagem que devemos guardar.

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ODUDUWÁ

 

ODUDUWÁ é a representação do mundo dos espíritos e, portanto, também o dono de todos seus segredos. ODUDUWÁ significa: “Senhor Dono do Castelo”. Sua tradução é “Anos cansados”. ODUDUWÁ assim como OBATALÁ são ORIXÁS da criação. ODUDUWÁ representam o pai da genética, também considerado o princípio da ancestralidade.

OLODUMARÉ é o rei do céu e ODUDUWÁ o rei da humanidade.

Determina o nascimento e a morte de todos os seres humanos já que ele é quem determina o tempo de vida do nosso corpo físico, ou seja, o fim da vida. Este ORIXÁ está extremamente ligado ao ORIXÁ ORUNMILÁ, por também interferir no destino dos seres humanos.

ODUDUWÁ é quem dá o sopro da vida no útero materno, acoplando o espírito a primeira formação biológica.

Representa a maternidade, embora seja considerado um ORIXÁ masculino, pois cumpre um papel materno ao acolher os seres humanos em sua passagem pela Terra.

E por ser esta divindade criadora, é um ORIXÁ que quando fala é determinante na sentença, quer dizer, por exemplo, em um ITÁ de ORIXÁS, estes nos permitem corrigir as nossas faltas, mas no ODÚ dado por ODUDUWÁ existe também essa possibilidade, porém a atenção deve ser redobrada, pois as mudanças necessárias dentro de seu ITÁ só serão possíveis por obediência, pois é um ODÚ que nos oferece um recurso para que possamos evitar cometer os erros que vínhamos cometendo.

Quando nos dá um ODÚ de orientação, nos recomenda a fazer as melhores coisas do ODÚ, pois somos humanos e temos o livre arbítrio, nos permitimos a errar, cometer faltas. No entanto, os ORIXÁS nos perdoam uma e outra vez, enquanto que ODUDUWÁ nos exige obediência, já que as orientações de ODUDUWÁ são determinantes e se não evitarmos o mal prescrito em seu ODÚ, fatalmente cairemos na negatividade do mesmo, tropeçando nos OSOGBOS (negativos) do ODÚ marcado, já que somos donos de nosso destino.

É um ORIXÁ de BABALAWÓS e não de OLORIXÁS. Não se recebe pelas mãos de OLORIXÁS, mas sim em IFÁ pelas mãos de BABALAWÓS consagrados no Culto a ODUDUWÁ, isso não quer dizer que um OLORIXÁ não possa ser iniciado no culto. ODUDUWÁ cortou a língua com uma faca para poder alimentar seu irmão ORUNMILÁ e seus filhos. É, por isso, que ODUDUWÁ não fala por MERINDILOGUN (BÚZIOS), somente por IFÁ (IKINS), porém todos devem recebê-lo. Ao recebê-lo, a pessoa adquire evolução e estabilidade. Todos esses relatos nos certificam o poder, a hierarquia e a importância desta divindade para cada ser humano de qualquer idade. ODUDUWÁ se recebe através de um ritual longo, extenso, que dura vários dias de muitos rituais de grande complexidade litúrgica.

ODUDUWÁ HISTÓRICO E ODUDUWÁ MÍTICO

Não devemos confundir o ODUDUWÁ MÍTICO com o ODUDUWÁ HISTÓRICO. Não existe nenhum vínculo entre um e outro.

ODUDUWÁ HISTÓRICO se destaca como o líder da expansão territorial da Cultura YORUBÁ. É considerado um ONÍ (Rei Soberano) dentro do sistema cultural YORUBÁ, devido a que se lhe atribui a expansão e consolidação da Regra de IFÁ-ORIXÁ, devido a revelação do caminho que lhe foi dado por ORUNMILÁ. Daí é que dentro da teologia YORUBÁ, ODUDUWÁ seja considerado como o fundador de IFÁ.

Sabe-se que ODUDUWÁ ordenou a redação de uma Constituição para o povo de ILÉ-IFÉ e o estabelecimento de um governo que deveria ser encabeçado por ele.

ODUDUWÁ MÍTICO é o primeiro rei da atmosfera e da fortuna. Vive nas escuridões profundas da noite e possui um só olho que é fosforescente. É uma massa espiritual de enormes poderes que não tem forma nem figura fixa.

ODUDUWÁ assim como OBATALÁ, é o ORIXÁ de mais alto grau da religião YORUBÁ, portanto, a ele se pode titular como o “Líder dos Orixás”. Em alguns aspectos excede a OBATALÁ no poder e comando de respeito. A derivação ou nome é muito incerta. Uma delas a palavra se compõe da seguinte forma: ODU TI O DA WA (a pessoa que existe por si mesma, ou, o líder de tudo, o que nos criou e deu existência a todos). Outro nome inclui o de “IYA AGBÉ”, onde sempre o representa na posição sentado, amamentando uma criatura, é a esta representação feminina que chamam de ODUAREMU.

A história registra que o primeiro BABALAWÓ a ter recebido ODUDUWÁ, o fez precisamente das mãos da YALORIXÁ CUCA ODÚA e este foi o BABALAWÓ DON LÁZARO ARTURO PEÑA OTRUPON BARAIFE, quem consagrou o famoso BABALAWÓ DON ELPÍDIO CÁRDENAS OTURA SÁ, e foi EFUNSHE quem entregou ODUDUWÁ a MIGUEL FÉBLES ODI KA. EFUNSHE era de EGBADO e adorava ODUDUWÁ assim como outros ORIXÁS oriundos dessa terra como YEWÁ e OLOKUN.

A história também registra claramente que os primeiros ODUDUWÁS entregues em CUBA aos BABALAWÓS foram entregues por OLORIXÁS, porém muitos segredos de IFÁ chegaram depois à ILHA e a partir daí começaram a adequar as liturgias de ODUDUWÁ para BABALAWÓS, acrescentando segredos e fundamentos à prática litúrgica, que já existia em terras africanas e a partir daí foram resgatadas no Ocidente.

MIGUEL FÉBLES não entregava ODUDUWÁ em cofre, nem tampouco em panela de barro fechada. A entrega da maneira como se entrega ODUDUWÁ hoje em dia é o produto da fusão da forma que o entregava MIGUEL FÉBLES e outras vertentes que o entregavam em cofre, sem ferir as liturgias.

Último cerimonial de ODUDUWÁ nos dias 26, 27 e 28/04/2019 onde foram iniciados 16 filhos no culto a ODUDUWÁ pelas mãos do OLUWÓ SIWAJÚ EVANDRO LUIS DE CARVALHO OTURA AIRA IFÁ NI L’ÓRUN.

Um cerimonial que sua preparação antecedeu três meses a seu ritual e três dias de exaustivas cerimônias para essa grande divindade, incluindo no dia do meio, uma palestra sobre essa divindade feita pelo OLUWÓ SIWAJÚ EVANDRO OTURA AIRA

 

Fonte: Ifá Ni L’Órun

 

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AYAÓ

 

 

AYAÓ é a irmã mais nova de OYÁ, em alguns caminhos também dizem que é a irmã mais velha.  É filha de ODUDUWÁ e foi criada junto com BROMU. Tem pacto com OSSAIN e IROKO e, por isso, se diz que ela é o ORIXÁ das magias. Pode viver na selva ou em cima de IROKO (copa da CEIBA sagrada – ARAGBÁ), sempre no alto, pois se caracteriza como a ORIXÁS das Nuvens…Outros escritos também dizem que ela vive dentro das raízes da CEIBA Sagrada. AYAÓ foi quem deu a OYÁ os segredos da Magia e do Misticismo. Seus segredos se guardam em uma sopeira que se mantém no alto, na casa de quem a recebeu. Usualmente são os filhos de OYÁ os que a recebem, embora haja ODÚS onde pode determinar que alguém necessite recebê-la. Aqueles que a possuem, a mantém em um livrinho atado ao teto do lugar com correntes.

AYAÓ é amiga dos espíritas e dos médiuns. Zeladora da SARAZA de EGUN. ORIXÁ das alturas. Ela foi quem subiu e deu a mesa à ODUDUWÁ. Caracteriza-se também como um ORIXÁ do Deserto. Vive nos altos de IROKO e não deve baixar ao chão ou tocar o piso, por isso suas cerimônias se realizam na parte superior de uma mesa. Ela é um pequeno redemoinho e o olho da tempestade.

Diz-se que ela se senta acima da CEIBA sagrada para ajudar e proteger os espíritos que passam através de suas nuvens para residir no reino de OLÓFIN (DEUS). Diz-se que quando um iniciado de OYÁ está realizando seu nascimento, consagração (feitura), os espíritos que se recolhem são atendidos por AYAÓ. Quando OYÁ se prepara para a batalha ela chama sua irmã AYAÓ que libera os espíritos para ajudá-la na batalha. Não se raspa AYAÓ na cabeça de ninguém. Também AYAÓ cuida das mulheres donzelas e das meninas. AYAÓ é pura, por isso ela é quem sobe à mesa à ODUDUWÁ.

Diz-se que AYAÓ é a que leva as mensagem a IKÚ (morte) e a OYÁ. AYAÓ também se encarrega dos 9 EGUNS que acompanham OYÁ e tem relação com os 9 lugares das cerimônias prévias a uma consagração de OYÁ (feitura). Por esta razão algumas pessoas põem 9 copos de água a OYÁ como uma dedicação a ela.

Alguns chamam estes de “OS AJERES DE OYÁ”.  AYAÓ nasce no ODÚ OSÁ ROSO (OSÁ IROSO), embora também fale nos ODÚS: OSÁ OGUNDA (OSÁ KULEYÁ), OSÁ BARA (OSÁ SHEPE), OSÁ OGBE (OSÁLO FOBEYÓ) e OSÁ MEJI.

Os que a necessitam chamá-la que não o façam, pois é um ORIXÁ muito sério. OYÁ é o oxigênio que inalamos e o oxigênio que exalamos, AYAÓ é o ORIXÁ que tem que a ver com a magia. Os que tenham que fazer alguma oferenda e sacrifício para ela, deve ir ao cemitério e deixar as oferendas em cima de uma tumba, nunca no chão, ainda que para OYÁ possa se deixar na porta do cemitério e no chão, mas para AYAÓ nunca, pois ela não baixa ao chão. Aquele que tem que trabalhar com este ORIXÁ é importante que sempre o façam “limpos”, perfumados e que o ambiente tenha bons perfumes ou fragrâncias. Os que a recebem dizem que ela guarda mistérios e que quando está no ambiente, muda, pois é um ORIXÁ muito sério em relação a fazer seus encargos.

 

Fonte: Ifá Ni L’Órun

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IYÁMI   OXORONGÁ

 

Todos os ancestrais femininos, as Ìyagbà ou Ìyámi, têm sua instituição em sociedades como Egbé Eleye, Egbé Ògbóni e Egbé Gèlèdé, consideradas secretas pelo fato de os seus conhecimentos serem transmitidos apenas a iniciados. As Iyami Oxorongá representam o poder ancestral feminino e os elementos místicos da mulher em seu duplo aspecto: protetor e generoso, perigoso e destrutivo. Todos os orixás femininos são detentores deste poder.


As Iyami são zeladoras da existência e guardiãs do destino: por isso sua boa vontade, essencial à continuidade da vida e da sociedade, deve ser cultivada. Pertencem a um grupo de seres espirituais chamados Ajogùn, cujas funções incluem carregar o ebó para alimentar-se dele ou, mais precisamente, do sofrimento humano do qual está impregnado. Ao processarem as energias dos ebós, possibilitam a cura, a superação de dificuldades e a atração de bens necessários. Sua relação com os poderes mágicos lhes possibilita também neutralizar os efeitos negativos de pensamentos, palavras e ações destrutivas que uma pessoa dirija contra outra ou contra si mesma. A presença e a influência de Iyami no jogo oracular é fundamental, pois se manifestam em todos os odus e, sendo parceiras deles, têm como ajudá-los a comunicar-se entre si. Parceiras também de Exu e dos demais orixás, indicam com eles os ebós necessários para cada situação, sendo de competência comum a todos a tarefa de transportá-los.


A expressão Ìyámi, Minha(s) Mãe(s) ou Zeladora(s), designa um orixá cujo poder é tão grande que todos se referem a elas sempre no plural, aludindo a uma coletividade. Quando se quer saudá-las basta pronunciar um de seus nomes, pois elas representam uma coletividade de seres relacionados a todos os elementos fundamentais para a sobrevivência dos homens: por isso traí-las significa trair a própria essência vital humana. Invocar as Mães implica em associar-se a uma coletividade de energias que vivem em estreita relação com elementos indispensáveis à sobrevivência humana.


As Iyami, curandeiras com grande poder mágico, podem assumir diferentes formas. Intervêm na existência humana no plano individual (na saúde física, psíquica e espiritual, no casamento e na sexualidade) e no plano social (no trabalho e nas amizades). Elas apóiam as pessoas em sua tarefa de organizar pensamentos e conhecimentos para melhor atingir objetivos, atraindo sorte e favorecendo conquistas materiais. Promovem mudanças no plano emocional, facilitando que um homem nervoso se acalme e um impaciente torne-se paciente. Intervindo nos destinos, protegem as pessoas de danos causados por inimigos e por falhas próprias. Como harmonizam relações, favorecem casamentos. Sendo portadoras de axé, favorecem a aquisição e a manutenção da energia vital; protetoras e zeladoras de tal energia, orientam as pessoas quanto à melhor maneira de realizar seu destino.


No aiye as Iyami trabalham para colocar ordem no conhecimento e na sabedoria dos seres, e transmitem isso ao orum através de assentamentos já consagrados a elas, de iniciações e da realização de constantes oferendas e ebós. A partir do momento em que se estabelece uma ligação com Iyami, adquire-se melhores condições para atingir objetivos e concretizar ideais.


A natureza, que inclui os seres humanos, possui uma ligação energética entre os mundos visível e invisível e recebe o toque divino das Mães. Água, ar, terra e fogo constituem elementos através dos quais se pode chegar a elas. Assim sendo, pode-se evocá-las com água, obi e orobô em rios, mares, encruzilhadas, estradas, ao pé de um peregun, na mata ou no quintal de casa, entre tantos locais possíveis, dado o fato de pertencerem à natureza, particularmente à terra.


As mulheres pertencentes ao grupo de devotos das Iyami são chamadas Ìyá-Agbà ou Ìya Aiyé (Mães do Universo, Mães Anciãs ou Veneráveis Mães Anciãs); os homens são chamados de Òsó (Bruxo, Feiticeiro). Ambos ficam atribuídos do poder de manipular o destino humano através de rituais de consagração. A aquisição do poder das Iyami ocorre pelo nascimento, por herança e pela iniciação. Esta última pode proporcionar a proteção delas para o iniciado e seus familiares e amigos mais próximos e pode, num grau mais elevado, permitir a transmutação física, embora exclusivamente no caso de mulheres. Diz o provérbio que o filho de Iyami tem dois ouvidos, dois olhos e uma única boca, para ouvir e ver bem mais do que falar. Falar sobre as Mães inspira a sensação de poder e sabedoria, muitas vezes equivocada, porque um devoto que não saiba proteger e preservar a força e os segredos confiados a ele será vencido facilmente. Falar sobre elas é uma tarefa desafiadora porque exige cumplicidade entre quem fala e quem ouve e uma responsabilidade rara das pessoas em relação ao uso que fazem das palavras. Por isso, durante a iniciação, as pessoas se comunicam o mínimo necessário.


Os iniciados em Iyami possuem as marcas simbólicas das Mães em seu corpo e podem sentí-las até mesmo fisicamente. Essas marcas indicam sinais de nobreza. Os devotos das Mães muitas vezes acabam se tornando líderes. Deles exige-se postura séria e rigorosa e uma auto-educação para que não fiquem mencionando o poder delas. Pessoas indiscretas ou que se considerem poderosas não devem cultuá-las, pois sua postura afasta o poder das Mães. Tolerância e paciência, qualidades do sábio, são os principais meios de se venerar Iyami e aos demais orixás. O devoto das Mães deve ser verdadeiro, leal, fiel e respeitoso para criar espaços onde elas possam viver e atuar. As Iyami têm o poder de tornar o tempo favorável ou desfavorável, podendo provocar morte prematura ou prolongar a vida: a capacidade de trabalhar com seus poderes para atuar sobre a duração da existência, entretanto, é privilégio de poucos sacerdotes.


Os iniciados em Iyami pelo Oduduwa Templo dos Orixás reunem-se periodicamente para manter e fiscalizar o culto aos orixás, zelar pela casa e tratar de assuntos relevantes para a comunidade que frequenta a instituição. Um dos eventos coletivos mais importantes do templo é o Festival de Iyami, que ocorre anualmente.

 

Fonte: Oduduwá

 

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BANHO DE ABÔ

 

Abô  é um banho de folhas (As vezes outras coisas) que tem uma função em rituais de limpeza no candomblé.

Esse banho é preparado pelo zelador da casa de axé, tendo sua forma particular de fazê-lo, cada casa tem sua combinação de folhas. Esse banho fica guardado dentro de um pote grande  chamado de Porrão.

esse banho é um complemento de outros rituais, é um axé, seja para banhar as contas de orixá, dar banho pra depois fazer um ritual, entre outras funções.

Dentro das nações de Candomblé, e até algumas umbandistas existem vários ebós que se destinam à limpeza do corpo e do espírito de um ser vivo. Eles servem para desmanchar tudo de ruim que existe nesse ser, desde o negativo de seu odú, até mesmo, trabalhos de magia negra que foram realizados contra ela.

Dentro desses ebós, existe como complemento, o banho de abô. Esse é preparado com várias ervas que são maceradas em água limpa, e seu processo é complexo: começamos com a escolha do dia em que vamos até a mata para  colhermos as ervas que deverão ser utilizadas na preparação desse banho.

Após a escolha do dia, tanto o zelador como as pessoas que vão lhe auxiliar, devem se resguardar por um período de três dias, sem sexo, bebida alcoólica ou qualquer outro elemento que “suje” seu corpo.

Na véspera de se ir à mata para recolher as ervas, deve-se preparar os presentes para Ossãe: mel, fumo de rolo picado, búzios, moedas e até suas comidas rituais a fim de que o mesmo nos permita retirar as folhas sagradas.

No dia seguinte antes do sol esquentar, as pessoas saem do barracão vestidas de branco, e sem conversar nada pertinente ao mundo, adentram na mata para recolherem as ervas que servirão para preparar o banho, que podem variar de caso para caso.

Após recolherem as ervas, as pessoas voltam para o barracão e deixam as folhas descansarem por um período de no mínimo seis horas para somente depois começarem a preparar o banho. Todo esse processo é restrito às pessoas devidamente preparadas e com tempo de feitura suficiente para se saber como se prepara o abô.

O banho de abô deve ser condicionado em um pote de barro, denominado porrão, também sagrado para os rituais de Candomblé seja ele de qualquer nação.

Assim o abô era feito antigamente, quando as casas de santo eram roças de orixá distante das cidades grandes e se tinha acesso à matas, e não se tinha acesso a carros, e outras tecnologias...

Após seu preparo o omin eró tem a função de limpar o corpo das pessoas e, no caso de iniciação é ele que vai trazer o Orixá para a terra. Nunca devemos usar esse banho com outra finalidade que não seja a de limpeza, pois seus fundamentos são muito grandes, e após tomarmos esse banho, nem mesmo caboclo ou outra entidade de Umbanda se incorpora em seu médium.

A maioria dos elementos rituais numa casa de santo são passados nos banhos de abô para sua purificação: alguidares, louças, fios, montagens, paramentas, artigos dos igbás, roupas, até o chão barracão é lavado com abô.

Muitos assistentes costumam ir nas casas de santo e levar numa garrafa abô para lavarem suas casas ou tomarem banho.

O banho de abô tem muita utilidade dentro do axé orixá, e casa nenhuma deve ficar sem o mesmo, pois sua força é muito grande e, ele tem a força para repelir qualquer aproximação inferior. Uma pessoa obsediada melhora imediatamente, e nenhum egun fica encostado no momento em que se joga o banho de abô. Se continuar passando mal é marmotagem e invenção da pessoa (animismo).

Espíritos errôneos jamais se aproximam de uma pessoa que toma esse banho, pois sua essência aproxima de forma direta o Orixá da pessoa e este jamais compactua com espíritos inferiores.


O ERÓ DO ABÔ:

As ervas escolhidas para a composição do abô são um segredo que varia de nação para nação, de zelador para zelador e por isso não se divulga essa seleção. Geralmente as ervas eró (frias) são as mais usadas, mas as quentes (gun), e as outras entram nessa composição para equilibrar também. A lista é muito extensa, variada e revelada somente aos iniciados nos cultos e pessoas graduadas hierarquicamente.

Com tempo o abô amadurece, as folhas imersas na água e o sumo das folhas começam a se decompor (responder) e este fica com um cheiro forte e característico. Diz-se os mais antigos que o cheiro forte do abô afugenta toda a negatividade.

Nunca se deve falar que “o abô fede” isso quizila a Ossãe e o banho não surte efeito.

Em algumas casas o abô “come”, são feitos sacrifícios dentro do pote, ou quando Ossãe come, vai um pouco de ejé dentro deste.

Em outras casas há a tradição de se beber o banho de abô (...) em alguns casos, tipo se a pessoa ingeriu bebidas alcoólicas antes de se chegar na casa de santo.

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PADÊ  DE  EXÚ

 

Dentro dos rituais sagrados de Exú, não pode faltar de forma alguma seu padê, espécie de farofa crua, na qual é adicionada a farinha de mandioca, e vários elementos, dependendo da necessidade de cada pessoa.

Os mais utilizados de forma geral, são: o padê de água, de dendê, e o de mel. Sendo que esses são muito utilizados quando se realiza algum sacrifício de aves ou de quatro pés para essa divindade. O padê sem o ritual de sacrifício tem por finalidade, se presentear a Exú para que ele nos ajude em determinados assuntos nos quais necessitamos. Trata-se de uma comida preferida por todos os exús e sua aplicabilidade remonta das senzalas que existiam no Brasil.

É público que na África não existia esse tipo de alimento, farinha de mandioca, uma vez que esse foi criado pelos índios brasileiros, mas, os antigos sacerdotes, que eram escravos, introduziram esse presente ao culto de exú e desde essa época, é comum dar-se de presente para exú seu padê.

O padê de dendê serve para se esquentar os caminhos e é muito utilizado para a abertura de caminhos para emprego, para o progresso de uma empresa ou para várias outras utilidades. O padê de azeite de oliva costuma ser usado para se conseguir um equilíbrio em determinado setor da vida de uma pessoa, o de mel, serve para se adoçar uma pessoa, para fazer com que exú nos traga, por exemplo, o livramento de uma perseguição, para que uma pessoa que é nosso inimigo se transforme em nosso amigo, para ajudar em questões amorosas entre tantas outras utilidades.

Em caso de abertura de caminhos para uma empresa, para se atrair clientes para um comércio, para que se arrume emprego, é aconselhável que se coloque sete moedas correntes. Para as demais utilidades pode-se colocar de uma a sete moedas correntes.

Ainda existem outros tipos de padês chamados negativos, que servem para livrar uma pessoa da praga, por exemplo, da feitiçaria, do olho grande etc.

Porém, sempre é bom lembrar que as divindades do Candomblé somente atendem ao chamado de pessoas preparadas e com tempo de santo suficiente para entregarem as oferendas, e se alguma pessoa sem esses requisitos, tentar realizar alguma cerimônia, os efeitos podem ser catastróficos na vida do consulente.

E esse fato ocorre muito frequente uma vez que a ganância, a ânsia de dinheiro faz com que pessoas sem preparo algum, decidam interferir solicitando ajuda das entidades para pessoas em seu dia a dia. Exú como sendo um Orixá de grande poder, não tem o hábito de perdoar, e se por ventura, algo for feito de forma irregular, teremos sérias complicações na vida daquele vivente.

Pode-se servir o padê para exú independente de lua ou dia de semana, não sendo aconselhável somente nas sextas feiras, pois esse é um dia consagrado a Oxalá e assim sendo, como existe uma kizila entre Exú e Oxalá, não se recomenda que seja feita qualquer oferenda para essa entidade, deixando o dia de sexta feira somente dedicado a se presentear Oxalá e assim mesmo sem matança, somente com comida seca e reza.

Como qualquer Orixá do panteão africano, exú também tem seu Oriki, ou seja, um conjunto de palavras litúrgicas que são utilizadas para invocá-lo. A esse conjunto de palavras dá-se o nome também de Reza.

As rezas de exú servem para acordá-lo, para invocá-lo para que se digne e vir receber a oferenda que lhe trazemos como para que interaja em nossa vida ou na vida de uma pessoa que necessita dessa intervenção.

É imprescindível que ao entregarmos o padê para exú, estejamos de corpo limpo, sem sexo, bebida ou qualquer outra substância nociva ao lido com os fundamentos do Axé Orixá. Temos também que recorrermos ao jogo para ver qual o tipo de problema existe na vida daquela pessoa e qual Exú se digna a olhar por ela e ajudar.

Nunca, em hipótese alguma, devemos invocar exú sem uma necessidade real, pois o mesmo é dotado de uma força que ser humano algum é capaz de controlar.

 

Fonte: Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá.

 

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AJÉ SALUGÁ

 

Ajé  Salugá é a irmã mais nova de Yemajá. Ambas são as filhas  prediletas de Olokun. Quando a imensidão das águas foi criada, Olokun dividiu os mares com suas filhas e cada uma reinou numa diferente região do oceano. Ajé  Salugá ganhou o poder sobre as marés. Eram nove as filhas de Olokun e por isso se diz que são nove as  Yemanjás. Dizem que Yêmanjá  é a mais velha de Olokun e que Ajé  Salugá é a filha caçula de Olokun mas,  de fato ambas são irmãs apenas. Olokun deu às suas filhas os mares e também todo o segredo que há neles. Mas nenhuma delas conhece  todos os segredos , que são os segredos de Olokun. Ajé  Salugá era, porém,menina muito curiosa e sempre ia bisbilhotar em todos os mares. Quando Olokun saía para o mundo, Ajé  Salugá fazia subir a maré e ia atrás cavalgando sobre as ondas. Ia disfarçada sobre as ondas, na forma de espuma borbulhante. Tão intenso e atrativo era tal brilho que às vezes cegava as pessoas que olhavam. Um dia Olokun disse à sua filha caçula:"O que dás para os outros tu também terás, serás vista pelos outros como te mostrares. Este será o teu segredo, mas sabe que qualquer segredo é sempre perigoso".Na próxima vez que Ajé  Salugá saiu nas ondas, acompanhando, disfarçada, as andanças de Olokun,Seu brilho era ainda bem maior, porque maior era seu orgulho, agora detentora do segredo. Muitos homens e mulheres olhavam admirados o brilho intenso das ondas do mar e cada um com o brilho ficou cego. Sim, o seu poder cegava os homens e as mulheres. Quando Ajé Salugá também perdeu a visão,ela entendeu o sentido do segredo. Yêmanjá  está sempre com ela, Quando sai para passear nas ondas. Ela é a irmã mais nova de Yêmanjá.

Ajé Salugá  é um Orixá  feminino, considerada irmã mais nova de Yêmanjá, teve seu culto iniciado quando um dos itans de ifá fora revelado, neste itan conta que Ifá se encontrava em uma situação financeira muito ruim, a fome e a necessidade lhe acompanhava Havia uma menina muito feia que dizia ter saído a pouco das profundezas do mar,ninguém gostava dela, ninguém pretendia aceita la dentro de casa por não aceitar sua feiura, deste modo ela andava vagando pelos caminhos, ruas e estradas à procura de um descanso.      

Um dia Ifá abriu sua porta e se deparou com aquela menina feia e ela pediu estadia, sem pensar duas vezes ifá como sempre muito generoso, a aceitou dentro de casa e deu a ela o pouco que tinha para comer e um lugar para descansar.

Durante a noite Ifá foi surpreendido por aquela menina dizendo que estava querendo vomitar, Ifá preocupado com aquilo providenciou uma tigela e estendeu a frente da menina mas ela se recusou, então ele a apresentou uma cabaça e obteve recusa, da mesma forma aconteceu quando ele o ofereceu um jarro, o maior que ele possuía  em sua casa, mesmo assim ela se recusou a vomitar ali e disse à Ifá que em sua casa ela estava acostumada a vomitar em um quarto. Ifá levou-a para o único quarto que aquela casa possuía e chegando lá mais uma vez se surpreendeu quando viu aquela menina vomitando inúmeras pedras preciosas, azuis, amarelas, brancas, e de todos os tipos, incansavelmente.

Pelo caminho, um homem viu o apuro que Ifá estava passando com aquela menina e perguntou se ele podia entrar para prestar ajuda, quando entrou no quarto onde estavam se encantou com tamanha riqueza que aquela menina deixava pelo chão de Ifá e exclamou : "Há! Nós não conhecíamos os poderes desta menina, por isso a repudiávamos, e hoje estão revelados!"Este homem disposto a servi-la , colocou-lhe o nome de Ajé Salugá.

Depois disso todos ficaram sabendo dos presentes que Ajé Salugá  havia dado a Ifá e todos queriam recebe-la em suas casas. Ajé Salugá  é uma divindade muito rara, por ter seu culto quase extinto.

Poucos conhecem seu culto, e os que conhecem, na maioria se recusam a passa-los à frente.Seus assentos devem ficar na casa de Oxalá, e nunca devem ser tocados por outra pessoa que não seja seu dono. O assento de Ajé Salugá  deve ser dado ou ganhado, a pessoa não pode simplesmente assenta-la para si. Os materiais utilizados devem ser providenciados por seu novo dono, por serem estes materiais de um custo muito alto, geralmente demora muito para se conseguir tudo.Conchas grandes, caramujos do mar, joias naturais, corais, são os simbolos desta divindade. Não existem cerimônias abertas para ela, nem festas.

Ela Gosta de arroz cru com mel e farinha perfumada, o local onde Ajé Salugá  encontra-se assentada, não pode ser visitado por muitas pessoas, mostra-se muito tímida e cismada. Seus rituais devem acompanhar os de Oxalá. Possui muito ligação com Exú, Orunmilá, Ossãe e Orixá Ori.

Orixá da riqueza, não dá transe, portanto não existe Elegun de Ajé  Salugá. Existem sim iniciados em ajé Salugá, que são os que simplesmente a cultuam e que a assentam.Seu elemento é a riqueza, e por ser filha de Olokum, é representada por toda a riqueza dos mares. É ligada a Oxumarê, por ser também um Orixá da riqueza (nas terras). Assim como Oxumarê, alguns acreditam que Ajé Salugá  seja um deus masculino, outros creêm que Ajé Salugá  seja meio macho, meio fêmea, mas o que se sabe é que Ajé  é um Orixá feminino, de doce temperamento, dona de aspectos indispensáveis para o ser humano como: paixões, riqueza e amor.Outro motivo de questionar a sexualidade de Ajé  é porque já que ela é representada por conchas e grandes búzios, estes podem ser masculinos ou femininos,novamente falaremos sobre o caracter andrógeno de Ajé Salugá. Como masculino, Ajé  tem grandes ligações com Xangô, Ossãe  e Exú.- Ervas de Ajé  Serão usadas para lavar as conchas e búzios e deve-se também tomar banho delas antes de mexer e evocar Ajé Salugá.  Folhas de guiné, peregun, folha de fortuna, maria-sem-vergonha,serralha.Macerá-las rezando a sassanha de sua preferência,é mais aconselhável rezar a sassanha de Oxumarê (1), por ser ligado a riqueza ou sobre (sassanha) de Yêmanjá (2)por ter estreitas ligações com Ajê.

 

Comidas e oferendas para Ajé Salugá:Todos os pratos para Ajé  não levam tempêros, somente após a sua confecção serão regados  arroz, acaçá, ekurú, abará, ebô.- Oferece-se em forma de veneração, uma vez ao mês, para Ajé  os ingredientes abaixo:.dentro de um oberó, oferecer obi, orobô, ekurú e efun + Aberê. 

* OBI = afasta o azar (atrai sorte).*Orobô = atrai longevidade.


- Saudação de Ajé  Salugá - Okum Iyá = a mãe (rainha) que está nos mares.  

 

 

 

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OGà NO  KETU

 

Ogã (Ogan) é escolhido pelo Orixá do zelador de uma Casa de Candomblé para diversas funções dentro do Àse, primeiramente é suspenso, para depois ser confirmado. Ogá não incorpora, não entra em transe, ele é escolhido justamente por estar sempre lúcido e cumprir diversas funções que são importantíssimas dentro de toda liturgia.

O Ogá, não é apenas um tocador de atabaque (ilús), a função do Ogá em uma casa de Àse abrange muito mais que somente as cantigas nos terreiros. Os Ògás promovem a segurança da Casa, contribuindo com o zelo dos Òrìsàs, eles também zelam pelo Ilé Àse. O Ogá, ao chegar à Casa de Candomblé, após se purificar com o banho de agbò, se vestirem adequadamente e, saudar seu Àse, seu zelador e todos da Casa, buscar realizar suas funções e se colocar à disposição.

Mas afinal, quais são essas funções? Além do cuidado com os atabaques (manutenção/afinação/osé) os agògòs, àtòrìs, também é papel do Ogá contribuir para que tudo caminhe bem no Terreiro, pois o Ogá busca defender sua comunidade, o seu Àse de forma eficaz, fazendo de tudo para que o mesmo seja preservado, é sua responsabilidade, preservar as edificações de sua Casa, estando sempre atento para qualquer e eventual dano, como, por exemplo, a necessidade da troca de uma telha, ou um degrau danificado em uma escada, etc.

O Ogá se dedica em diversos âmbitos do Candomblé, como aprender os toques e ritmos, as cantigas, os animais, as folhas, adúràs e sàsányìn, copar, etc.

Ogán com o tempo pode se tornar um conhecedor de folhas (Èwé), que aprenderam desde como colher e cantar as folhas específicas de cada Òrìsàs.

Cabe ao Ogá o cuidado especial e indispensável com os animais que serão ofertados aos Òrìsàs, de modo que a oferta seja aceita de forma plena dentro dos rituais sagrados. É primário Ogá saber como entregar, levar e até passar um ebó conforme a necessidade específica de cada situação, sempre em sintonia com seu zelador. Todo esse conhecimento demora anos, cabendo ao Ogá estar sempre atento às palavras, conselhos, doutrinas e ensinamentos do seu zelador.

O Ogá ocupa um papel importante também durante o Candomblé, são eles que com sua forma de tocar e cantar contagiante contribuem para invocar os Òrìsàs a terra.

Os Ògás confirmados servem de exemplo para os Ògás apontados ou suspensos, com postura, moral ilibada, jamais ingerir bebida alcoólica e se impor coercitivamente para o bom andamento da Casa.

A união entre os Ògás ajudam a formar a base de uma Casa de Candomblé, eles formam uma família em que todos se entendem se confraternizam, sem qualquer tipo de disputa, briga ou ego.

Ogá toca e canta para os Òrìsàs e não para as pessoas que estão na festa e sempre consulta o seu zelador, para saber como será o andamento da festividade, para qual Òrìsà poderá prolongar-se um pouco mais nos cânticos, ou não. O Ogá procura permanecer o maior tempo possível no salão, evitando sair, principalmente quando o Òrìsà está no barracão. Ele está sempre atento aos visitantes que chegam, comunicando ao zelador, muitas vezes, os recepcionando.  Ogá respeita incondicionalmente os Òrìsàs, ele sabe a hora que deve parar de cantar, também procura aprender os cânticos do seu Àse, da sua raiz, evitando cantar algo que somente ele conhece, afinal, para ele o importante é ver o Òrìsà feliz com o conjunto e não com o solo. Hoje é fundamental que os Ògás procurem se unir e comungar com o Òrìsà, que respeite os seus mais velhos e a liderança do seu Terreiro.

Ogá pode ganhar seu Oyè com o decorrer do tempo e merecimento, conquistando o respeito de todos e que carinhosamente pode ser também chamado de Pai Ogá. Os principais Oyès são: Asògún (homens de Ògún), Alabe, Pèjìgán e Ònilú.

Lenda:

Num tempo muito distante, o orun (céu) era lugar de grandes festas. Os orixás (protetores de cabeças) lá se reuniam para celebrar a vida. Exu era o grande animador daquelas festas porque era ele quem tocava os tambores e que entoava as mais belas e alegres cantigas. E ele ficava todo prosa por exercer tal função. Certo dia, entendendo que estava difícil conversar ao mesmo tempo em que o som dos tambores ecoavam, os orixás pediram para Exu que parasse com aquela cantoria e toques. E assim se deu: Exu deixou de tocar e cantar nas festas.

Sem muita demora, os orixás perceberam que festa sem tambores e sem cantoria, não era festa. Eles se reuniram novamente e decidiram pedir para que Exu voltasse com toda a animação. Mas ele não aceitou: estava profundamente magoado com o pedido do grupo, uma vez que ele desempenhava tais atividades com tanto fervor e o impediram de continuar. Os orixás insistiram bastante até que Exu disse: “Perdi totalmente a vontade de cantar e tocar para vocês, mas vou passar a tarefa para a primeira pessoa que se colocar na minha frente”.

E assim aconteceu. Ogán, um jovem rapaz caminhou na direção de Exu. Exu olhou para ele e o escolheu para inicia-lo na arte dos cânticos e toques em louvor aos orixás. Ogan, prontamente aceitou o convite de Exu, era rapaz esforçado e que queria aprender.

Tão bem Exu o ensinou Ogán e Ogán tão bem aprendeu a animar as festas dos orixás que em sua homenagem, Exu estabeleceu que todo o homem responsável por animar as festas dos orixás deveria receber o cargo de Ogan.

 

Pesquisa: Blog da Casa de Òsùmàrè (Internet) / Ogans tenda (Internet)

 

 

 

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COMIDAS DOS ORIXÁS

 

Dividir o alimento com os deuses é ter a insigne hora de comer com eles, garantindo, dessa forma, a presença dos Orixás em nossas vidas e da refeição em nossa mesa.

Ao preparar as comidas de santo, deve-se observar os tabus de cada um deles. Por exemplo, o azeite de dendê nunca deve ser oferecido a Oxalá, o mel é proibido a Oxóssi, o carneiro não pode sequer entrar em uma casa consagrada a Iansã etc. Os filhos de santo devem observar todas as quizilas dos seus Orixás e, sendo parte do Orixá, também não podem consumi-las.

A ijoyé encarregada de preparar as comidas dos Orixás é a Ìyá Basé, um cargo outorgado apenas a mulheres de grande sabedoria e respeito junto à comunidade. Ela é a mãe que conhece todos os segredos da cozinha e que sabe que o principal ingrediente para uma boa comida de santo, capaz de alcançar as mais altas dádivas, é o amor.

O primeiro Orixá cultuado também é o primeiro a comer, Exu ele come tudo que a nossa boca come, as oferendas dadas ele mais comumente são os padês a base de farinha de mandioca branca, combinada com azeite de dendê ou  mel de abelha, água, bebida alcoólica e acaçá vermelho  feito com farinha de milho amarelo e enrolado em folha de bananeira. em algumas ocasiões também são utilizados pimenta, cebola, bife e moedas nas oferendas a este Orixá.

Nas oferendas a Ogum são dados inhame assado com azeite de dendê e feijoada.

Oxóssi come axoxó feito com milho vermelho cozido decorado com fatias de coco. Ele também aprecia frutas e feijão fradinho torrado. As comidas devem ser colocadas sob o telhado ou aos pés de uma arvore.

A oferenda dada a  Obaluaiê é a pipoca. Utilizando areia da praia para estoura-las e enfeitando com fatias de coco.

 

Oxumare prefere que sejam dados em oferenda a ele, bata doce amassada e modelada em forma de cobra  e também farofa de farinha de milho com ovos, camarões e dendê.

Ossaim prefere acaçá, feijão, milho vermelho, farofa e fumo de corda.

O acarajé de forma arredondada com dendê é a oferenda consagrada a  Iansã, mas também é do agrado de Obá.

Obá também tem preferência por um bolinho de nome abará que consiste em uma massa de feijão fradinho temperado  com dendê enrolado em folha de bananeira e cozido em banho-maria.

O omolocum, feijão fradinho cozido com cebola, camarões e azeite de oliva e decorado com ovos cozidos e descascados é de Oxum.

Iemanjá prefere peixe de água salgada, regados ao azeite e assados, milho branco cozido e temperado com camarões, cebola e azeite doce, manjar com leite de coco e acaçá.

Nanã é oferecido efó, mungunzá, sarapatel, feijão com coco e pirão com batata roxa.

O amalá pertence a Xangô. O amalá (pirão de inhame) deve untar o fundo da gamela e sobre ele é colocado o caruru decorado com pedaços de carne, camarões, acarajé e quiabo, doze unidades de cada e enfeitado com um orobô. É válido lembrar que a oferenda deve ser servida quente.

Oxalufã só aceita comidas brancas e tem preferência por milho branco cozido e sem tempero.

O inhame pilado é oferenda de  Oxaguiã.

As comidas oferecidas a Orixás Funfun, devem ser sempre colocadas em louças brancas.

 

Fonte: o candomblé

 

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